Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Vazios
Vazios são também os períodos em que somos nós que amamos menos...

Nem só de ausências são preenchidos os pequenos espaços no amor... Vazios ocorrem também nos

períodos de resfriamento. Basta termos a impressão de que já não somos tão amados, para que se crie um espaço diferente...

É o espaço da dúvida, em que hesitamos em acreditar que a desconfiança seja devida apenas a nossa excessiva exigência amorosa, sem que nada de real no outro a confirme...

Ou então, crer que a nossa sensibilidade apurada pelo amor captou sinais talvez quase imperceptíveis, e que realmente o outro já não é o mesmo em relação a nós...

Sabemos que no primeiro caso deveríamos agir sobre nós mesmos, lutando contra a insegurança, sem cobrar do outro aquilo que ele não nos deve...

No segundo, ao contrário, deveríamos nos voltar para o outro afim de obter a informação verdadeira...

Mas sem saber ao certo qual seja a situação, oscilamos entre uma e outra possibilidade, insensivelmente botando um pé atrás e estabelecendo um novo clima...

Vazios são também os períodos em que somos nós que amamos menos... Períodos em que os defeitos do outro nos parecem mais consistentes, às vezes até insuportáveis, e chegamos a descobrir novos para justificar a irritação que sentimos e que, tão diferente do amor que sentíamos ontem, não queremos atribuir somente a nossa própria mudança... 

É também a fuga mais conveniente para não termos que partir em grandes escavações, a fim de descobrir as causas reais do nosso desamor...

Nas quebras de imagem, outros vazios se formam. Como em uma pintura antiga, numa relação duradora à imagem idealizada do amado vai se cumprindo de pequenas rachaduras, aquilo que em artes se chama craquelê. A maioria destas rachaduras acontece se sequer percebamos. Mas há depressões mais profundas, que de repente nos abalam...

A cada um nos perguntamos: "Será que ainda conseguirei ama-lo (a)?"  

Enquanto a pergunta dentro de nós não encontra sua resposta, há um empalidecimento do amado(a), ele já não é tão sólido como objeto de amor... Em muitas vezes sem que ele se quer saiba por que, também não somos para ele amantes tão intensos (um dos medos quando suspeitamos que o outro(a) esteja esfriando em relação a nós é de que tenha ocorrido na imagem idealizada que ele(a) tem de nós um sulco grave, capaz de determinar nosso destino sem que tenhamos qualquer controle sobre ele).

Dificuldades econômicas, problemas com o trabalho, com a saúde (sem sabermos), tudo pode contribuir para esburacar o amor... 

E há sempre muito que podemos fazer para que aos espaços vazios correspondam outros tantos espaços cheios...

 

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínico

em 16/07/2012

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