Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Queremos ser felizes...
A partir dai ele se torna a pessoa que é, somada a pessoa que queremos que seja, e à pessoa que vemos nele...

Procuramos o amor por que queremos ser felizes, e a felicidade sem amor nos parece, no minimo,  improvável... 

Mas quem nos autoriza a acreditar que a felicidade e amor nos sejam sinônimos?

Tudo nos demonstra o contrário... Torça um belo romance romântico e escorreram lágrimas... Ouça uma canção de amor e ouvirá a história de uma separação...  

Amor é frequentemente sinônimo de dor... E isto não o torna menos necessário...

Mas se por acaso o nosso vizinho esta envolvido em um amor difícil que volta e meia o põe em desespero, logo dizemos que aquele amor não é bom... É um mau amor, do qual ele deveria se livrar o mais depressa possível... 

O amor sofrido que tanto fazia sucesso no século passado viu-se transformado no amor neurótico, aliás, nem mais amor apenas relação... E como tal passou de sentimento a doença...

Se amiga sofre porque o marido bebe, achamos peremptoriamente que deveria se separar.

Ele bebe e ela sofre, é verdade, mas quando sóbrio ele é um companheiro generoso e alegre, e talvez tenham grandes êxtases no sexo... Para isso pouco olhamos...

Vemos as lágrimas e viramos a fase, entregando aos leões aquele amor, que por ser lacrimoso já não nos parece digno de sobrevivência...

Querer o amor sem dor é querer o impossível... É ouvir o canto da sociedade que através da tecnologia e da medicina tenta nos vender a obrigatoriedade do bem-estar físico e mental, tenta nos impingir o mercado da felicidade, dissociando o sofrimento do resto da vida...

Não há bolinhas (remédio) para o mal do amor, assim como não há bolinhas para o amor... Podemos no máximo ficar "tranquilizados"...

Mas a tranquilidade, sobretudo química, está muito longe de ser felicidade...

Amar é estar em disponibilidade para o sofrimento... Pois se o amado(a) é insubstituível e nele se concentram todos os nossos desejos... Nossa vulnerabilidade é absoluta...

E o simples conhecimento desta vulnerabilidade, desta dependência, arrepia de susto nossa alma...

O mais complicado é que não dependemos só dele para sermos felizes ou para mantermos a felicidade aparentemente obtida com a vitória inicial da conquista...

Dependemos da pessoa em que em grande parte independe dele mesmo...

Vem avançando na vida aquele sujeito semelhante a outros milhares de sujeitos, que em meio a multidão mal se distingue... Mas eis que de repente, como uma câmara que entra em foco e se aproxima distinguindo a personalidade principal, nossa atenção se crava nele, observando possibilidades... E logo elege objeto de paixão...

Até ali ele ou ela era mais um, feito de sua personalidade, de seus pontos de vista, até mesmo de seu corpo... Mas a partir da escolha será transformado... O rosto, até então rosto comum, torna-se iluminado, um rosto debaixo dos refletores que nosso amor joga em cima... Agora em meio a multidão mesmo de costas o distinguiremos... 

A partir dai ele se torna a pessoa que é, somada a pessoa que queremos que seja, e à pessoa que vemos nele... Nossa felicidade depende, portanto, dessas três pessoas, e do equilíbrio que elas conseguirem manter entre si...

Se levarmos em consideração que ele só tem controle direto sobre a primeira, percebemos a precariedade da situação em que nos coloca...

 

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clinico

em 24/07/2012

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