Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Compulsão sexual - Uma verdade a ser percebida
Cada nova relação sexual é tomada como uma prova de que são aceitos, mas este sentimento é efêmero, levando o sujeito a buscar uma nova relação...

Em toda sua vida o sujeito irá ter que aprender a conviver em eqüilíbrio com o impulso sexual e as pulsões, na sua constante necessidade de somatização do alivio sempre na busca de prazer. Por fonte das pulsões entendemos os processos somáticos que ocorrem nos órgãos ou em outras partes do corpo, notadamente a pele e as mucosas, onde se originam estímulos, representados na vida psíquica pelas idéias, sensações, desejos, etc.Em toda a vida o sujeito irá ter que aprender a conviver em equilíbrio...?

Os avanços da neurociência indicam a prevalência da natureza química destes processos. Assim as oscilações, diuturnas da serotonina, nor-adrenalina, dopamina, endorfina, melatonina, etc, são os mensageiros das alterações dos órgãos e tecidos que permitirão ao cérebro a leitura das pulsões (fome, sede, desejo sexual, etc.), dando ensejo as suas representações, mas na linha da psicanálise entendemos que os avanços da neuro são muito repreentativas, mas temos que ter cuidado ao interpretalas. Ainda segundo a psicanálise, o que a neuro está afirmando faz parte da constatação fisíca sobre processos quimicos. O que a psicanálise vem ao encontro da neuro é pelo fato da constatação da mesma, mas a psicanálise vai um pouco mais além, ela megulha ainda em um espaço não dito, no inconsciente, aonde dele podemos fazer as leituras da neurociência.

Seguindo as pulsões, como linha investigativa Freud estuda a sexualidade na infância e em sua evolução. As observações e manifestações sexuais na busca desregrada por parceiros, sexo solitário, grupal dentre outros; marcam de formas distintas a compulsão sexual de homens e mulheres. A falta do controle ou mesmo perda do autocontrole causa impactos acressivos e dolorosos.

Segundo a Organização Mundial de saúde, sexo quando praticado em excesso pode, sim, fazer mal e ser sintoma de outro problema: uma compulsão por exemplo. No contexto religioso este quadro vem sendo discutido há pelo menos um século nesta esfera. Na esfera moral a mais de um século, mas passou a ser alvo de investigações cientificas no ramo da saúde mental a partir da década de 1990. Claro que não mencionamos aqui a investigação paralela que Freud e outros fisseram ao longo do tempo.

Na Compulsão sexual, assim como em outros tipos, há um impulso incontrolável para realizar um determinado ato. Por exemplo, vamos pensar no ato alimentar; comer é um ato saudável, mas se torna patológico quando o individuo está sem apetite e continua comendo. Assim como no alimento a prática de conter o prazer é fundamental. No caso dos sujeitos, a pessoa se relaciona com outra mesmo quando não sente excitação.

Na maior parte das vezes o comportamento se caracteriza pela repetição das relações sexuais , mas isso não chega a ser uma regra. Uma pessoa pode fazer sexo uma vez ao dia compulsivamente, sentindo-se angustiada enquanto não concretiza sua vontade.Tal situação é totalmente diferente de um casal em lua-de-mel, que tem relações amorosas várias vezes por sentir prazer de estar junto.

O problema costuma ser percebido apenas quando a sensação de sofrimento relacionada a cada relação se torna expressiva. Muitas pessoas demoram dez ou até mesmo vinte anos para perceber que o comportamento é errado ou não saudável. E o que faz com que o sexo passe a manifestação de saúde e prazer a questões vício relacionado a sofrimento?

Há algumas razões, entre elas, a tentativa de suprir uma carência afetiva vinculada à baixa auto-estima. Neste caso, os compulsivos são pessoas extremamente carentes que necessitam de manifestações de afeto para acreditar que são “gostáveis”. Cada nova relação sexual é tomada como uma prova de que são aceitos, mas este sentimento é efêmero, levando o individuo a buscar uma nova relação.

Outro fator que está relacionado à compulsão é o conflito com uma situação de impotência, como a perda de um emprego, fazendo com que o sexo seja uma espécie de bengala para lidar com um cenário que gera fragilidade e angústia. A compulsão sexual pode estar relacionada ao tipo de educação recebida. É um comportamento freqüentemente relacionado a uma carência por parte dos pais, que gera insensibilidade. Tais pessoas necessitam de emoções fortes para sentirem o efeito do afeto.

A inconstância na família, marcado por casos de infidelidade, pouco respeito entre membros ou ausência de limites aos filhos, pode estar relacionado a este quadro. Tais fatores podem deixar a criança fragmentos em sua fronteira da individualidade abalada, sem saber respeitar o espaço dela e o do outro.

Abusos sexuais na infância também figuram na lista das causas para tal comportamento. Nestes casos a exposição sexual do dependente é uma maneira de reafirmar a exploração vivenciada no passado, pois freqüentemente coloca-se em situações de risco e desproteção.  Como exemplo convivência na infância com dependentes sexuais adultos.

Por visualizar diversas experiências sexuais, a criança pode erotizar-se e vir a repetir esse padrão de comportamento, pois fez o registro de sua excitação na associação com a variedade e à quantidade de cenas presenciadas. A compulsão sexual provoca uma série de desdobramentos na vida do dependente. Uma delas é a transformação da obsessão e da fantasia sexual em estratégia básica de satisfação.

O sexo vira o instrumento que regula a vida emocional. Planejar, calcular, imaginar e procurar oportunidade é uma boa maneira de passar os dias. Conforme o tempo passa, o nível de atividade passa a ser insuficiente para o sujeito, fazendo com que necessite de quantidades crescentes para manter o nível de alívio emocional e tenha comportamento cada vez mais descontrolado.

A freqüência, extensão e duração da relação sexual geralmente excedem a intenção da pessoa. Ela persiste no padrão, mesmo que seja consciente dos riscos a que está exposta. A perda do autocontrole, bem com a incapacidade de autocontrole, bem como a vergonha de não ter uma vida dentro dos limites apropriados e de mentir por não se controlar, são traços que compõem o perfil do dependente e intensificam o sofrimento que sente.

Os dependentes de sexo estão sujeitos a outras conseqüências ainda mais severas, entre elas contaminação por AIDS e DSTs, perda de emprego, risco de estupro e acidentes, problemas com os parceiros e com guarda dos filhos, assim com prisão por cometer infrações ilegais, entre elas à pedofilia. Os dependentes sexuais sabem que correm perigo, pois o que lhes importa é satisfazer a compulsão, independente da satisfação, local ou pessoa com quem se envolvem.

O acompanhamento e o tratamento do dependente é necessário que ele se dê conta de que tem um problema e terá que trabalhar para refazer laços emocionais, ao mesmo tempo, interromper estes ciclos de relacionamentos estabelecidos. È importante que o tratamento seja estendido ao parceiro ou parceira. Essa pessoa pode acabar virando refém do problema do cônjuge, por medo de ser trocado.

Ao atender casos de compulsão e mesmo para uma compreensão maior é necessário que o profissional de saúde mental e os familiares não rotule uma pessoa de vítima e a outra de algoz, pois em um casal, um sujeito vai até onde o outro deixar...

 

RONALDO DE MATTOS – PSICANALISTA CLÍNICO

 

em 22/10/2009

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