Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Por que amava tanto?
No cotidiano, que para os outros é planos, ele se mete sempre em situações montanhosas... É daquelas pessoas com quem tudo acontece...

Há um tempo atrás conheci um pessoa que após ter ajudando fiquei com alguns pensamentos soltos no ar...

Ele havia conhecido uma mulher e me disse que era encantado e fiquei feliz por ele... Quando soube quem ela era, lá se foi minha alegria... Encantadora sim, mas totalmente dependende do alcoól... 

Será que ele sabia a dimensão do problemas que estava entrando?

Sabia... E o mais curioso é que vinha de uma experiência com uma mulher que era dependente quimico e tinha me jurado que nunca mais ia querer sequer pensar em coisa semelhante...

Casou com a encantadora, e foi bastante infeliz por longo tempo... Queria regenerá-la... Era de uma dedicação comovente... Ela melhorava, pensávamos até que fosse parar de beber, ele ia se tranquilizando...

E logo, sem qualquer razão aparente (ou farta de razões), ela recomeçava, sumia de noite, aparecia em casa de madrugada arrastando consigo um bando de bêbados...

Depois da terceira internação para desintoxicação, ele desistiu... Mas estava tão destruído quanto ela... "Eu amava tanto", me dizia... "Achei que dava para tira-la disso... Que valia apena correr o risco..."

Por que a amava tanto?

Muitas pessoas não tem idéia o que seria esse sentimento e desejo pela outra pessoa, nunca o vi escolher uma mulher simples... E a complicação não só era na areá de relacionamento ou vida amorosa...

No cotidiano, que para os outros é planos, ele se mete sempre em situações montanhosas... É daquelas pessoas com quem tudo acontece...

Não dá para acreditar em acaso... Ele gosta do perigo... Talvez não seria o vício de querer ajudar, onde o mesmo esquece de seus próprios limites... 

Talvez nem bem do perigo em si, mas das situações em que o imprevisível esteja sempre presente. Ele gosta, sobretudo de sair da norma... E no entanto, diria alguns, vem de uma família tão normal!!! 

Eu conheci, o pai e a mãe que são seríssimos, bem comportadíssimos, estimadíssimos, casal exemplar, daquele a quem todos respeitam... 

Só muito depois da morte do pai dele é que ficamos sabendo que por trás daquela seriedade toda, o homem era bem desequilíbrado, cheio de manias, decidia a vida orientando-se pelos ventos e pelo que lia no formato das nuvens, tinha dilapidado seu patrimônio é deixado um monte de dividas...

As sombras no interior de cada sujeito são reveladas em seu comportamento, quer ela perceba ou não. Uma pessoa totalmente entregue a uma paixão e querendo morar junto o mais rápido possível, provavelmente não dará conta de que está em muitos casos projetando na relação, suprir alguma falta ou carência afetiva.

Se eu tivesse na mesma cincunstância, provavelmente pensaria da mesma forma, consideraria normal.

É provável que me sentisse muito mal, dividido... Certo de que o desequilíbrio existia nele, mas sem ter ninguém para confirma-la, é provável que me sentisse culpado, que me sentisse desequilibrado também...

É provável que dali para frente busca-se situações e pessoas declaradamente fora de uma regra de comportamento social aceitavel pela maioria, para evitar divisões e não ser a única testemunha da desordem... É provável, muito provável que alguém "certinho", acabasse preferindo uma alcoólatra encantadora...

 

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clinico

em 03/08/2012

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