Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Polígamos ou Monogâmicos?
Uma coisa penso que é indiscutível... Seja qual for a nossa natureza, ela há de ser a mesma para homens e mulheres...

Há tempos nos perguntamos: "Seriamos poligâmico ou monogâmico por natureza?" E feito a pergunta vamos ao reino animal em busca de identificações...

Não tenho nenhuma prova cientifica de que seja uma ou outra a verdadeira natureza da espécie humana, nos perguntamos se seriamos promíscuos como os macacos, os cães, os elefantes e os coelhos, dispostos a qualquer acasalamento, dependendo apenas do cio... Mas também não temos nenhuma garantia...

A única evidencia é que, tanto numa hipótese quanto na outra, estamos bem distantes da nossa natureza... Se formos monogâmico, grande parte da humanidade não está nem sabendo disto... Se formos poligâmicos, a outra parte está sofrendo atoa... Uma coisa penso que é indiscutível... Seja qual for a nossa natureza, ela há de ser a mesma para homens e mulheres... 

O ganso não é monógamo com uma gansa poligâmico, nem o cão tem varias fêmeas, enquanto sua cadela "essencial" se mantem em casta fidelidade...

A diferença portanto não existe, ela foi inventada para atender a interesses sociais... A economia do útero... Em que o útero da mulher, administrado pelo homem que a possuía, só podia dar frutos dele e para ele... 

É tão bem inventada que hoje, quando os interesses sociais já não são os mesmos, continua nos remoendo o fígado... Por mais que a cabeça me diga o contrário, diante da infidelidade da minha mulher ou meu homem, sofro como se não houve-se em mim outro sentimento possível...

Sofriam por acaso os habitantes da Europa Central quando e 1650, depois da Guerra dos Trinta Anos, um decreto da Dieta de Noremberg legitimou por dez anos a bigamia, a fim de recompor a população dizimada? Ou basta um decreto para acabar com séculos de formação? 

E como se sentiam os negros do Quilombo de Palmares repentinamente vivendo num regime de poligamia? "... que a cada negro que chega ao mocambo fugido de seus senhores... lhe dão mulher a qual possuem junto com outros negros, dois, três, quatro, e cinco negros, pois sendo poucas mulheres, adotam esse estilo para evitar contendas, que todos os maridos da mesma mulher habitam com ela o mesmo mocambo, todos em paz e harmonia... que todos esses maridos se reconhecem obedientes à mulher que tudo ordena na vida como no trabalho..." Escrevia Manuel de Inojosa ao rei de Portugal.

Era um caso de estrema necessidade... Basta então a necessidade para que nosso coração aceite sem estremecer outros regimes amorosos?

Então para que o meu coração se tranquilize, qual é a nossa necessidade atual?

A economia do útero acabou... A indissolubilidade do casamento acabou... Já não se treinam os homens para o sexo, como os cavalos para a corrida... E sobretudo não se diz as mulheres que diante dos seus impulsos eróticos devem se comportar como diante de um incêndio... Tentando apagá-lo, ou fugindo... Aquilo que apertava, impedia, reprimia acabou, ou esta em vias de acabar...

Mas o antigo papel do casamento nenhum outro veio substituir-se... Se antes o casal existia para criar os filhos e aumentar os bens, hoje um homem e uma mulher juntos são uma eventualidade sem finalidade clara...

Não é mais indispensável um casal para criar os filhos, e nem mesmo para gerá-los... A não ser no fugaz momento do coito... E os vários casamentos que constelam a vida de cada um, mais fracionam os bens do que os juntam...

O casal, sem uma função social definida, também não tem uma moral definida... Tendo deixado de ser indispensável, não precisa mais de tutela... Faça de si o que bem entender...

E isso seria ótimo, se bem nos entendêssemos... Mas como uma perna no passado, outra no presente, e as únicas esperanças possíveis localizadas no futuro, nos rasgamos em plena divisão...

 

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clinico 

em 03/08/2012

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