Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
SOBRE O PSICANALISTA
apresentação
ATENDIMENTO
faça o seu agendamento
CONTATO
fale conosco
Paixão endeusada
E não só queremos do amor que seja paixão, como queremos que nos dê tudo o que a vida não nos dá...

Andamos sempre envolvidos em algumas enrascadas... De um lado temos o amor denegrido, que nos leva a coisas das quais estamos tentando fugir...

Do outro aparece a paixão endeusada, que porém se acaba e nos esgota sem nos preencher. E no meio está o nosso desejo fundamental de afeto, de sexo, de encontro... 

Uma das saídas tem sido a multiplicação das paixões. No afã de atender às nossas necessidades, promovemos o interesse mais próximo a paixão assim que outra paixão acaba, exatamente como se promove uma pessoa ao statos de chefe, quando outro sai da empresa. 

Desta forma, atrações eróticas que não passariam do primeiro motel se veem alçadas a categoria de "pequenas loucuras", e "pequenas loucuras" são tidas como estagiarias da paixão... 

Outro recurso usado, talvez o mais usado de todos, tem sido buscar refugio no "alto do muro ou estar na pista..." Nem bem nos apaixonamos, nem bem nos enamoramos, e sobretudo não nos entregamos...

Ficamos ali, espiando para baixo a fim de detectar o momento propicio para uma rápida incursão...

Aceso ao interesse, pulamos rapidamente sobre o objeto (a pessoa) que o despertou, ali ficamos só o tempo de satisfazer o tesão, sem incorrer em paixão... 

A qualquer ameaça de sentimento... zapt!!!!! Lá vamos para o muro de novo... Hoje a moda é dizer "estar na pista"...

Mas há um terceiro recurso... Exigir a todo custo que o amor se comporte como se fosse paixão...

Ou seja, queremos o apaziguamento de um, mas com a sofreguidão da outra, o entrosamento erótico de um, com a pimenta novidadeira da outra, a tranquilidade cotidiana de um, com a alucinada improvisação da outra...E isso seria louvável, se apenas fosse possível...

Mas a natureza dos sentimentos não se inventa...Ela tem suas razões... Não se correm 100 metros com as mesmas passadas com que se corre uma maratona... E o amor se pretende uma maratona, mais do que isso, uma "slow distance run". 

É a velha história da lebre a a tartaruga, podem-se até botar orelhas compridas numa tartaruga, o que não vale é reclamar dela porque não salta como a lebre...

E não só queremos do amor que seja paixão, como queremos que nos dê tudo o que a vida não nos dá... Se nossa vida é monótona, tediosa, pretendemos que o amor seja palpitante...

Se a vida não nos deixa espaço para respirar, reclamamos do amor dizendo que é sufocante... Se a vida nos torna mesquinhos e agressivos, acusamos a relação a dois de ser irritante... 

A culpa não é da vida que nos torna cada vez mais intolerantes, que alimenta nosso egoismo... É da relação a dois que com suas exigências torna a vida insuportável...

O amor não faz as pessoas, só as pessoas fazem o amor...

As pessoas, eu acho, estão começando a ficar cansadas tanto do excesso de paixão quanto do "alto do muro " (pista)... As pessoas estão querendo voltar ao amor. Mas não aquele que deixaram lá atrás, junto com a indissolubilidade do casamento e a moral vitoriana...

Estão querendo um amor mais parecido consigo mesmas... Quem sabe, talvez um que, embora tendo compromisso e deveres, se mantenha sempre optativo... Um amor que sem querer disfarçar-se de paixão encontre em si mesmo renovação e estimulo...

Um amor que poderíamos realmente chamar de amor apaixonado...

 

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clinico

em 23/08/2012

Voltar

Principal / Pense comigo / Contato / Agenda online
www.ronaldodemattos.com - Todos os direitos reservados 2009 - 2013