Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Diálogo - Um milagre
Desde pequeninos uma frase marca nossa relação com essa difícil arte: "cala a boca, menino!" Criança não tem vez para falar...

Para garantir a segurança de suas famílias, os antigos romanos mantinham em casa um altar aos deuses do lar. Hoje, sem altar mas com a mesma devoção, cultuamos o deus diálogo...

Dele esperamos que resolva todos os problemas da relação, escancarando as portas do entendimento... Que funcione como uma especie de garantia do amor, um seguro contra as separações... 

Dialogue!!!! exorta os terapeutas e os comportamentólogos... Dialogue!!! incentivam centenas de livros, milhares de revistas e sites... E nós que somos uma geração cheia de vontade de acertar, empunhamos os sagrados estandartes do dialogo e desandamos a falar...

Mas será que o sabemos? Desde pequeninos uma frase marca nossa relação com essa difícil arte: "cala a boca, menino!" Criança não tem vez para falar... Junto com o desmame aprende que não deve interromper os adultos, não deve se meter em conversa de gente grande a não ser quando solicitada. Em meus tempos não se podia falar na sala de aula, muito menos na capela da escola. Passar na frente de dois adultos que estavam conversando era motivo de censura...

Ou seja não podíamos fala, a não ser nos recreios e enquanto brincávamos, no quintal com outras crianças... Transgressões a essa regra implicavam perda das saídas no fim de semana...

Assim, pais, tios e tias, professores se esforçavam para fazer de nós futuros dialogantes... Em casa continuavam o aprendizado... Qualquer filho descobre desde cedo que os pais usam dois diálogos diferentes...

Um na frente das crianças e outro quando as crianças estão dormindo, ou quando acham que elas não estão ouvindo...

A partir daí, os filhos, aprendizes obedientes, passam a utilizar com os pais o mesmo sistema... Dialogam abertamente sobre as abelhas e flores, mas não abrem a boca sobre as masturbações no banheiro...

Esse aprendizado pode ganhar reforço behaviorista quando, dizendo para os país ou adultos em geral aquilo que a prudencia lhe aconselharia calar, a criança é devidamente castigada... Dessa forma castigo e verdade estabelecem aos poucos, para ela, um sólido vinculo...

Crescidos temos fartas oportunidades de ver aplicado em ampla escala aquilo que aprendemos. Os políticos e os governantes falam uma coisa e pensam outra, os filósofos e os intelectuais apregoam uma liberdade que não praticam em casa, a boa senhora patrona de uma instituição de caridade maltrata à empregada.

E todos parecem praticar um discurso para o uso externo e outro para consumo interno...

Ou seja, somos oficialmente instigados à abertura, à sinceridade, ao famoso diálogo. Mas o que nos é realmente ensinado, como meio de defesa e de vitórias, é a duplicidade do discurso...

 

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clinico

em 28/09/2012

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