Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Diálogo - Necessidade e o medo
A profundidade do diálogo depende exatamente da dinâmica que se estabelece entre a necessidade de dizer e o medo de fazê-lo...

Todos precisam ter um universo só seu, o único em que as restrições não são colocadas por terceiros.

Mas as dimensões desse universo variam muito, e apesar da necessidade de desnudamento, ela não funciona com idêntica intensidade para todos, nem em todas as áreas.

A profundidade do diálogo depende exatamente da dinâmica que se estabelece entre a necessidade de dizer e o medo de fazê-lo.

Por temperamento alguns se sentem tanto mais seguros quanto maior for o universo omitido.

Tendem a oferecer de si uma imagem positiva, que vem ao encontro das expectativas do outro, guardando em segredo tudo aquilo que de si, lhe parece mais desabonador...

Acreditam, que desta forma, expulsão o perigo da rejeição e, em ultima análise, do abandono. O mais curioso é que, frequentemente, o que lhes parece desapontador não o é de fato, porém, tendo grande vergonha de seus defeitos eles a projetam no companheiro(a). Quando conseguem entregá-lo, percebem, na maioria das vezes, o quanto são desimportantes e aceitáveis...

Outros não ampliam as fronteiras do universo revelado com medo de que isso os coloque com dois pés na relação e, portanto, à mercê do outro...

Preferem ficar meio a meio, um tanto revelado, um tanto não, um pé para lá outro pra cá, achando que assim poderão enfrentar apenas "meio" sofrimento em caso de ruptura.

Outros ainda cercam sua vida de um véu de constante mistério, vendo nisso um exercício de liberdade. Aplicam essa neblina aos detalhes mais insignificantes, como por exemplo dizer: "Eu estive com um amigo", em vez de dizer "Estive com fulano ". Para estes, qualquer pegunta mais direta é invasão, uma tentativa imperialista de apossar-se do seu território secreto...

Mas há também os que, ao contrário, encontram sua tranquilidade na abertura máxima das fronteiras. Querendo muito ser amados, aceitos em cada minimo detalhe, entregam não somente por um sentido de sinceridade, mas em busca, às vezes até de excessiva aprovação...

Ou então, há os que contam porque, detestando serem repreendidos, já que a repreensão é uma forma de rejeição, não aguentam a ansiedade de ocultar um erro ou um defeito que possa vir a ser descoberto. Preferem contar eles mesmos, livrando-se da espera ansiosa, e ganhando pontos com a sinceridade...

O diálogo se faz em vários níveis, e para podermos nos orientar melhor é importante tentar descobrir que tipo de pessoa é realmente o nosso interlocutor(a), até mesmo para não exigir dele(a) mais do que pode nos dar...

Aos dados de temperamento, acrescentam-se também os culturais... Entre os Ingleses, por exemplo, não é considerado de bom-tom falar de intimidades. Já um italiano é capaz de sentar ao lado de um desconhecido num avião, e ter-lhe contado sua vida, com fartura de detalhes, bem antes da aterrissagem.

Para não irmos tão longe, podemos tecer um paralelo semelhante entre mineiros e cariocas, o fechamento quase ritual do primeiros, tão diferentes da abertura talvez superficial dos segundos.

De qualquer forma, é pouco provável que uma pessoa educada no culto do discurso encoberto, do não-dito, da leitura nas entrelinhas, encontre depois no dialogo amoroso um escancaramento que aprendeu a considerar quase como uma falta de caráter, ou de educação...

 

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clinico

em 05/10/2012

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