Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Você precisa me ajudar...
E há sempre medo mesclado ao amor inicial, medo do encontro, medo da possibilidade de fracasso, medo do compromisso que o acerto acarreta...

"Andei te procurando, você precisa me ajudar." A voz dela ao telefone era de urgência e excitação. "Pintou um sujeito na minha vida, casado, complicado, um rolo. Você tem que me convencer a não gostar dele."

Por trás desta conversa aparentemente ajuizada, a amiga estava me comunicando que não adiantava nada eu usar dos melhores argumentos, porque ela tinha descoberto um homem irresistivelmente difícil e já estava embarcada em sua canoa...

O histórico dela incluía um marido bonzinho, certinho e chatérrimo, de quem tinha se separado, depois de um casamento nada palpitante...

eis que não tinham despertado nela o menor interesse. Dois ou três mais maluquinhos om quem ela tinha prazerosamente se chamuscado. E finalmente esse...

O amor é uma emoção forte, galvanizante, que, sobretudo no período inicial, deixa o organismo todo alerta, em rotações aceleradas.

O medo é uma emoção igualmente forte, de efeitos semelhantes. E há sempre medo mesclado ao amor inicial, medo do encontro, medo da possibilidade de fracasso, medo do compromisso que o acerto acarreta...

Um estudo americano foi realizado através da experiencia em duas pontes sobre o rio Capilano, no Estado de Columbia. Uma era estreita, ondulante, muito acima da água. A Outra era solida e larga, de concreto. 

Na saída da ponte, uma linda mulher interceptava os homens que acabavam de fazer a travessia e, com a desculpa de querer respostas para uma pesquisa, acabava dando seu número de telefone.

Dos que telefonaram querendo marcar um encontro, a maioria provinha da ponte estreita. Os cientistas deduziram que, ao sair da ponte com o coração ainda batendo de ansiedade, e vendo uma linda mulher, os homens haviam atribuído a ela e ao súbito desejo por ela a sua palpitação...

Suponhamos agora uma pessoa muito defensiva, que não tem facilidade de abertura para o amor. Suponhamos que a moça que me telefonou seja essa pessoa. Um homem tranquilo que se aproxime dela não consegue abri-la.

Donde, não sentindo palpitação alguma, ela deduz que não se interessa por esse homem, e fecha ainda mais a porta já fechada... Este não terá mais chance...

Ao contrário porém, em que se aproxima um homem casado, complicadíssimo, perigosíssimo. Ela se assusta, o que há nela de racional põe o restante alerta, aumenta as rotações.

Imediatamente ela, que não experimenta amor de outra forma, confunde essa emoção com a emoção do amor nascente. Estremece, pega o telefone, e chama para dizer que precisa de socorro, quando na verdade quer muito simplesmente me comunicar que afinal está apaixonada, e que isso é muito bom...

E a esta altura ela realmente está, porque ocupada com suas palpitações de defesa, e confundindo-se com as do amor, ela abriu, e o amor, coitado, que não esperava outra coisa, entrou...

Dito assim, parece que o amor estava pronto atrás da porta, esperando qualquer abertura. De fato, o desejo e a predisposição de amar existem independentemente de haver ou não objeto...

Eles apenas se encaixam no individuo que consegue se aproximar mais do núcleo emocional, que consegue libertar esse desejo de amar e torná-lo concreto.

No caso da moça, por exemplo, o fato de ter dificuldade em se apaixonar represava seu desejo de amar, mas não lhe diminuía a intensidade...

Pelo contrário, quanto maior o período sem paixão, maior a necessidade de que essa paixão acontecesse, e maior a predisposição...

Adiante, ela me telefonaria muitas vezes mais, e viria chorar... Lamentando-se da complicação em que havia se metido... Mas a verdade é que só graças a essa complicação ela pode se dar o luxo de uma paixão em horário integral...

 

Ronaldo de Mattos - Psicanalista clinico

em 13/03/2013

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