Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Dentro do Outro...
Por amor, queremos avançar dentro do outro, intrometer-me (meter-me dentro), porque por amor é necessário trazer o outro para dentro de nós...
Normalmente todos nós ao pensarmos em uma relação e viver um amor imaginamos que tudo vale...
Por amor, queremos avançar dentro do outro, intrometer-me (meter-me dentro), porque por amor é necessário trazer o outro para dentro de nós...
E para isso preciso conhecê-lo(a), ter confiança em que não me fará mal, não intoxicará meu organismo como um feto envenenado. 
Para abrir simbolicamente meu corpo quero ter certeza de que o hospede me será doce... Mas então por que, enquanto avanço, ouço de repente gritos de alarme e a(o) amada(o) barra meu caminho e quase me expulsa?
Que entrada tão difícil é essa!!!! Duas vontades a regulam, em dois diferentes sentidos... Há o avanço que eu faço dentro do outro, através do seu conhecimento sobre mim, e do seu processo de me engolir...
Este ela(e) regula(ou pensa regula, pois os seus conhecimentos de mim são subjetivos; não correspondem forçosamente a mim, mas sim áquilo que ela(e) de mim pensa saber). Ela (e) me introjeta e não se assusta.
Mas há também o avanço que eu faço, ou tento fazer, aumentando meu conhecimento do outro. É o meu processo de engolir, e, ao mesmo tempo, aquela (e) que permite meu consentimento para ser engolida...
Este quem regula sou eu. E pode ser muito assustador para ela (e), sobretudo se ultrapassar o seu desejo de desnudamento... Equivale a estar tomando banho e ver de repente alguém que nos espia pela janela...
Embora querendo que a outra pessoa nos conheça, estabelecemos limites. Esses limites correspondem ao nosso desejo de interpenetração. Quanto mais desejamos penetrar no outro, quanto mais o outro é um objeto de amor valioso para nós, tanto mais permitimos que ele também nos penetre, e nos possua...
Mas se não tivermos certeza de que o outro é aquele objeto de amor total e insubstituível que há tanto procurávamos, ligaremos alarmes para impedir que ela ou ele adentre demais em nosso território...
Qualquer passo em falso, qualquer aceleração excessiva, pode causar uma parada nesse delicado trânsito, ou até um recuo... Sem que isso porém seja definido. Logo, como animais assustados que se esconderam atrás de pedras, os amantes botam suas cabeças para fora lentamente, lentamente abandonam as posições defendidas, e recomeçam a tatear suas almas...
Perigosa é a mentira. Ela estabelece um jogo de espelhos que embaralha o conhecimento e destrói a confiança... Aquele que mente engana o outro duplamente; porque se esconde atrás da imagem que o outro tem dele; e porque, deixando o outro acreditar que o conhece, mantém aberto o trânsito deste enquanto está com suas defesas todas abertas...
daí porque a dimensão do susto, ao descobrir uma mentira, é as vezes muito maior do que a mentira em si... O que de repente nos enche de pânico não é profundamente o fato que havia sido escondido, mas sim o conhecimento de que abrigávamos em nós um objeto estranho, e de que, acreditando habitar com segurança o amigo, a vela dentro dela(e) estava há tempos apagada...
Sofremos, mesmo que o dano tenha sido pequeno, pelo risco incomensurável que corremos...
E às vezes trancamos às portas do nosso conhecimento, toldamos nossa transparência, expulsamos o outro de dentro de nós. E, na maré, saímos de dentro dele...

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clinico

em 13/03/2013

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