Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Segunda União
Em se tratando de uma segunda união, exige o abandono da primeira família. Ou, se isso já aconteceu, a renúncia ... Seja como for, trata-se sempre da ruptura de uma situação para estabelecimento de ou

A algumas coisas que precisamos ré-pensar na história de nossa época... Uma delas é a relação amorosa... Ela se altera também porque muda a sua finalidade...

Como Francesco Alberoni mostra exaustivamente em Innamoramento e amore, na fase que antecede o casamento a finalidade do amor é a ruptura. Ele vai marcar o fim da primeira juventude, o corte do cordão umbilical.

Em se tratando de uma segunda união, exige o abandono da primeira família. Ou, se isso já aconteceu, a renúncia a uma nova vida de solteiro.

Seja como for, trata-se sempre da ruptura de uma situação para estabelecimento de outra...

Mas pensando no casamento, percebo que, ao contrário, o papel do amor é de mantenedor... Ele passa a ser indispensável para manter unidas aquelas pessoas que agora já constituem um núcleo social... 

E para isso tem que ser mais reflexivo, mais comedido, menos centralizador e sufocante, quem aguentaria ter seus pés um suspirante eterno, tendo que ir ao escritório, ao supermercado, à luta?

A finalidade sendo diferente, diferentes são os sentimentos. A dificuldade está em que, ao mesmo tempo em que exigimos deles resultados opostos, pretendemos que se sobreponham simetricamente...

Com os sonhos cravados na paixão, e o senso prático agarrado no amor, não nos é difícil confundir a institucionalização do segundo com algo passivo, parado...

O amor anda mesmo em passos lentos, e as doces emoções que nos proporciona podem não parecer tão galvanizantes...

Que susto súbito me gelou o coração quando, pensando que amava tão bem o minha/meu amada(o), me dei conta de que talvez, por isso, nunca mais vivesse uma grande paixão...

Que saudade de dar um tranco, do arranco, da ferocidade do querer... Seria melhor do que tenho? Duvido muito. Mas a lembrança do redemoinho me enlanguesce.

Procurando no casamento a mesma violência cósmica do amor inicial, e não a encontrando, cometemos frequentemente o equivoco de negar completamente o amor conjugal, de não reconhecê-lo como amor...

Para isso contamos com o apoio maciço da sociedade, que se esmera em mitificar a paixão em detrimento do amor conjugal. Nunca, em cinema ou literatura, os amores legitimados são tão arrebatadores quanto aqueles que se passam nas coxias, ou quanto as paixões românticas juvenis...

E não satisfeitos em depenar o casamento, os porta-vozes das modificações sociais há tempos anunciam sua morte, suicídio inevitável após terem assassinado o amor.

De que serviriam tanto esforço inicial, tanta energia desprendida, se fosse para acabar em nada? E já que não é possível nos apaixonarmos uma vez por ano, como resolveríamos nossa vital necessidade de amor nas entressafras da paixão?

 

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clinico

em 13/03/2013

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