Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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O tom de voz...
Amamos com o corpo tanto quanto com o sentimento...

Venho estudando por um bom tempo, seu titulo é Eunucos pelo reino de Deus, da autora alemã Uta Ranke. Se vocês puderem ler esse livro será uma grande surpresa...

E hoje um pouco tomado pelo pensamento deste livro, quero compartilhar uma ideia que vem tomando minha mente nestes tempos... 

O corpo é a morada do amor. É sua montada... Muitas mulheres não lembram a primeira frase do amado, mas, lembra-se do estremecimento quando lhe percebeu o tom de voz...

E querendo oferecer seus sentimentos sentimentos, foi com o corpo que se aproximou dele, o corpo foi o que ele percebeu inicialmente...

Embora eu possa amar alguém que não tem corpo, o imaginário me permitindo voltar o desejo para a ideia de uma pessoa, para o fantasma de um amor, sem meu próprio corpo o sentimento inexiste.

Amamos com o corpo tanto quanto com o sentimento. Na beatitude do abraço, como dizer se é pele, ou se a alegria vem da satisfação do bem-querer?

E se é verdade que ao receber uma carta de amor estremecemos como se em presença da pessoa amada, é verdade também que poucas emoções se comparam aquele toque em que a mão se entrega pela primeira vez a outra mão que ainda desconhece.

É no entanto, durante séculos, tentamos descorporificar o amor. Amarramos ao corpo a âncora do pecado, e o lançamos bem ao largo de respeitabilidade. Bonito o trovador medieval cantar o casto amor a sua dama,bonito era Dante amar Beatriz sem jamais tê-la tocado. 

Mas Lancelot, que se apaixonou fisicamente, que trai os ideais do amor cortês ao possuir a mulher do outro, não conseguirá achar o Graal, e cem vezes será humilhado ao vagar na procura...

O que acontece aos Abelardos e às Heloísas que cantam os prazeres da carne é bem conhecido, o castigo para quem ama com o corpo sendo a mortificação do próprio corpo...

Dessa divisão custamos nos libertar. É verdade que hoje um amor como o de Dante não seria considerado um caso poético, mas um caso clínico... Se antes amar uma mulher implicava respeita-lhe o corpo, atualmente o respeito que se devem os amantes é o respeito e a satisfação dos próprios desejos. 

O amor já não existe sem sexo... Em compensação, ninguém se surpreende de os corpos se relacionarem entre si, tendo deixado o sentimento em outros caminhos... Associamos o amor, mas generalizamos a dissociação do sexo...

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínico

em 13/05/2013

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