Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Interpretar a vida
A mulher criada desde cedo como a "mantenedora do lar" pode descobrir no exemplo da mãe a âncora que a impede de se separar, apesar do desejo de fazê-lo...

Outro dia estava conversando com minha sogra e minha esposa sobre infância, o que vivemos, brincamos, como nos comportávamos diante de adultos que sempre esperávamos chamar atenção...

Lembrávamos de momentos bons e momentos ruins, momentos de desafios e de travessuras, coisas de meninos e meninas...

Como interpretávamos a vida, como achávamos todos muito inteligentes e maduros, "homens e mulheres..."

Interessante é a observação de um casal dentro do seu momento mais particular sobre ficar ou ir de uma relação.

Ficar ou partir tem um lado circunstancial óbvio... Mas, como qualquer movimento emocional, prende-se às estruturas de comportamento enraizadas ao inconsciente.

Olhar para o passado pode dar boas indicações quando se trata de resolver o presente.

Nossa primeira visão de casamento é o casamento de nossos pais. Mas a ela reagimos de formas diversas.

Podemos batalhar para manter nosso próprio casamento de pé, para seguir o exemplo do casamento feliz dos nossos pais. Ou podemos batalhar com igual empenho justamente para não repetir o modelo fornecido por eles, que foi desastroso.

A mulher criada desde cedo como a "mantenedora do lar" pode descobrir no exemplo da mãe a âncora que a impede de se separar, apesar do desejo de fazê-lo. Separar-se significa nesse caso não ter aprendido a lição, não ter cumprido o próprio dever.

Afinal, não é assim mesmo que se sente muitas mulheres?

Homem e mulher, filhos de um mesmo casamento, podem reagir de forma oposta. Suponhamos, por exemplo, que a mãe tenha sido abandonada pelo pai e os irmãos tenham crescido ouvindo-a repetir que os homens são irresponsáveis.

O rapaz pode desenvolver uma extrema de contradizer a mãe e demonstrar seu valor, sendo um marido exemplar. A moça pode adquirir a certeza de que ela também está abandonada e infernar a vida do marido a tal ponto, com insegurança e ciúmes, que ele acabará por deixá-la, permitindo-lhe exclamar, entre desesperada e triunfante: "Eu não disse?"

Mas o rapaz pode também introjetar a imagem paterna e não conseguir manter nenhuma relação duradora. E a moça pode desenvolver um sistema de defesa pelo qual é sempre ela a primeira a encerrar uma relação.

O passado não determina nosso comportamento de forma simétrica. As combinações são infinitas... Mas é sempre conveniente recorrer a ele para obter uma leitura mais clara das nossas motivações, e saber até onde o hoje é responsável... 

Através dele poderemos entender por que certas pessoas demonstram facilidades para tomar a iniciativa da separação, enquanto outras se atormentam sistematicamente para consegui-lo. O amor, que nem sempre é preponderante...

A coisa complicada quando nos limitamos a razão-escudo, mesmo para uso interno... Porque é mais conveniente, porque nos exige menos, ficamos com ela, tapando os ouvidos a todas as outras.

Mas a conveniência acaba nos custando uma boa dose de autoconhecimento, que seria indispensável para nos ajudar a finalmente sair da situação, ou a ficar nela com mais prazer...

 

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínico

em 13/05/2013

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