Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Sempre melhor que o primeiro...
Casada e feliz, ela já projeta para o futuro a possibilidade de uma felicidade maior com outro parceiro...

Uma amiga casada pela segunda vez me telefona e eu pergunto como vai, como vai a vida, se ela está feliz. Risonha do outro lado, me responde: "Estou ótima. Você sabe, o segundo casamento é sempre melhor do que o primeiro". 

"Espero que o terceiro seja melhor melhor do que o segundo". 

Casada e feliz, ela já projeta para o futuro a possibilidade de uma felicidade maior com outro parceiro.

E não porque este não lhe agrade, mas porque o fator de saber que outro ainda melhor pode estar adiante faz com que não se sinta tão ameaçada pela eventualidade do amor deste, ou por este, acabar. Talvez por não amar "eternamente", consiga amar melhor...

Pertencemos a geração do descartável, desinventamos o duradouro. A navalha, que durava a vida inteira, preferimos o barbeador que se utiliza só um par de vezes e se joga fora. 

Trocamos o bom e sóbrio tecido que usaríamos durante anos, pela alucinante cor da moda que durará apenas uma estação. Resistência e boa qualidade tornaram-se palavras sem sentido, o máximo que admitimos é obsolescência planejada.

Esse "descartismo" contaminou os sentimentos. Sem, entretanto, mudá-los por completo. Para atenuar o desgaste em que a falta de convicções nos mergulha, mudamos o sentido de indecisão.

Hoje ela é pura sabedoria, aceitação democrática dos comportamentos. Assim, não preciso me desnortear pelo fato de o mito do amor eterno ser tão alardeado quanto a beleza da amizade colorida (P.A Pinto Amigo,Amigos com beneficio). Optar por um deles seria reacionarismo grave, fechamento, falta de visão. Os dois são igualmente válidos. A divisão foi institucionalizada. Sem com isso eliminar o sofrimento.

Fico pensando nos dias atuais em uma moça que se apaixone e pensa que se ela acreditar no grande amor e tiver sonhos de eternidade é uma romântica ridícula... Pior que isso, ser uma pessoa incapaz de viver a realidade, de enfrentar a precariedade das relações humanas, de "elaborar as perdas". 

Enfim, ser alguém próxima da inadequação, que sem muito esforço poderia ser chamada de neurótica.

Mas se ela se apaixona e não acredita na possibilidade do grande amor, se já começa pensando no fim, com certeza ela irá pensar que é uma cínica, superficial. Pior que isso, uma pessoa incapaz de viver grandes emoções em toda sua grandeza, de acreditar na força redentora dos sentimentos, de aceitar o desafio da entrega. Enfim, ela é alguém próxima da inadequação, que sem muito esforço poderia ser chamada de neurótica...

 

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínico

em 19/05/2013

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