Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Sonhar - Amores mágicos
Talvez o sonho de amor seja a forma ambígua de se apossar dessas rédeas, pois embora entregado o poder solucionador ao homem, são elas que, sonhando esse homem, lhe dão vida...

“Eu sou pobre, pobre, pobre / de marré, marré, marré / eu sou pobre, pobre, pobre / de marré deci...”

Se não temos um amor, se o que temos não nos faz felizes, se a vida está chata, se a alma em compasso de espera, há sempre um discurso para nos consolar.  

Fechamos por instantes os olhos à realidade e, como quem chupa uma bala no escuro do cinema, sonhamos com um amor lindo, luminoso, redentor, um belo amor mágico que talvez já esteja a caminho, é que virá para nos salvar.

Não sonhamos com amores mágicos se tudo vai bem. Um bom amor corriqueiro, que nos alimenta e tranquiliza, dispensa grandezas mágicas.

Mas voamos para elas assim que nos sentimos desamados(as), traídos(as), humilhados(as), assim que a gaiola da vida aperta e não encontramos a porta.

"A mulheres pensam muito mais no amor do que os homens ", declarou uma atriz Catherine Deneuve numa entrevista. "O amor é realmente um assunto de mulheres ".

Há exagero nisso, sendo o amor um assunto de ambos, porém os homens se refugiam menos do que as mulheres na fantasia do amor mágico.

O mito masculino equivalente ao "príncipe encantado" é o da "fada madrinha", traduzida em linguagem moderna para "viúva rica".

Mas me parece que ela esta mais para mãe provedora do que para amante embevecida; resolve basicamente os problemas econômicos, não muda todo o destino.

A verdade é que os homens são treinados para resolver os próprios rumos e solucionar os próprios problemas, (isso é muito bom, mas, trás consigo um grande conflito. Eles não sabem pedir ajudar e buscar a mesma quando estão em momentos difíceis onde não acham respostas).

E as mulheres são preparadas para entregar as rédeas da vida ao homem que irá "protegê-las", para esperar que a solução dos problemas se opere fora delas. Talvez o sonho de amor seja a forma ambígua de se apossar dessas rédeas, pois embora entregado o poder solucionador ao homem, são elas que, sonhando esse homem, lhe dão vida.

Seria qualquer coisa semelhante a lâmpada de Aladim: o gênio aparece e, com seus poderes mágicos, realiza todos os desejos de Aladim, mas Aladim é o dono da lâmpada, é dono do gênio, que só pode aparecer quando chamado. E isso o torna mais poderoso que o gênio.

Viajando em pleno desvaneio, não pensamos num novo amor como apenas um afeto que virá ocupar uma vaga, ou se sobrepor a outro já existente e insatisfatório. 

Mas nos entregamos a ele como a um todo absolutamente renovador. Se, na vida real , mudar de amor implica mudança radicais, na fantasia essas mudanças, assim como o amor que as constituiu, se agigantam. 

Ingressar num novo amor significa, simbolicamente, desligar-se de tudo, partir para outra , começar vida nova. Significa renascer. Por isso, quando uma mudança se faz necessária, pensamos no amor como o elemento deflagrador que nos permitirá, como as cobras, sair da nossa própria pele e ressurgir em outra nova. 

As vantagens de realizar essa mudança através do pensamento amoroso é que ela pode acontecer sem qualquer colaboração de nossa parte. Não precisamos sequer construir um modelo de amante para pensar. Podemos perfeitamente mantê-lo sem rosto, ou atribuir-lhe de forma vaga e alternada belos rostos que nos atraem.

Quanto ao corpo, qualquer lembrança nos satisfaz. Mas até menos do que isso, basta, para nos alimentar, a ilusão de uma sensação tátil agradável, de uma pele gêmea, de um corpo limpo e essencial.

A imaginação é tão poderosa que, em certos casos, bastaria ter que pensar nas iniciativas necessárias para nos mergulhar em ansiedade, quer pelo medo de ter que tomá-las, quer por sabê-las impossíveis.

 

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínico

em 19/05/2013

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