Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Psicanálise e religião II
Na neurose, a lei, em vez de organizar a devoção, obstaculiza. Haverá possibilidade de sair do aprisionamento da lei sem o abandono do religioso?

 

A Lei do Pai - No caminho do povo de Israel, Moisés destruiu o bezzero e apresentou a lei. E o povo de Israel passou a cultuar um Deus invisível, que se apresentou mediado pela Palavra. Freud , no Moisés e o Monoteismo apresenta este fato como um progresso mental.Para Freud o Deus invisível representa um progresso mental?

... pois significava que uma percepção sensória recebia um lugar secundário quanto ao que poderia ser chamado de idéia abstrata - um triunfo da intelectualidade sobre a sensualidade, ou estritamente falando, uma renúncia pulsional, com todas as cosequências psicologicas necessárias (1939, p. 135).

Para Freud, com este avanço a pessoa migra do reino da mãe - sensório - para o reino do pai - psiquico. Passa-se da identidade de percepção para a identidade de pensamento. A renúncia à descarga direta da pulsão torna o psiquismo mais apto para sublimações.

Segundo Ricoeur, a passagem do ídolo para a capacidade simbólica é um caminho que retira o povo da prisão. O símbolo ligado à palavra permite criar e recriar, retirando da fixidez do sensório.

Mas o próprio Ricoeur fala que todo símbolo corre o risco de novamente transformar-se em ídolo, aprisionando e limitando a multiplicidade semântica, isto lembra-nos o desvio patólogico do neurótico obsessivo, que, sentindo a ameaça de castração, utiliza sua capacidade simbólica na formação de sintomas ritualísticos.

Morano também discorre sobre a consequência deste desvio na representação de Deus.

Trata-se de uma lei sagrada que perdeu sua natureza mediadora, que substitui o próprio Deus e desloca para um segundo termo a celebração gozosa, o encontro festivo e a comunicação com o Outro, assim como a proclamação libertadora e profética de sua palavra. (1998, p. 60)

A história judaico-cristã esta recheiada de exemplos desta deturpação. Usando a terminologia lacaniana, dir-se-ia que a lei do Pai, em vez de organizar e incluir transforma-se em mecanismo paralisante excludente. A angústia de castração do Pai terrível é fonte de temor e distanciamento. Isto vale para obsessivos, fóbicos e histéricos. Na neurose, a lei, em vez de organizar a devoção, obstaculiza. Haverá possibilidade de sair do aprisionamento da lei sem o abandono do religioso?

 

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínico

 

 

em 28/10/2009

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