Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Carta - Desamparada com uma criança
Aos 24 anos estudo e trabalho numa creche, alfabetizando crianças filhas de mães solteiras, carentes e cheias de problemas. Dou a elas um pouco do que nunca tive...

Boa tarde Dr. Ronaldo de Mattos, venho lendo suas mensagem e senti vontade de procura-lo para pedir um conselho, por favor me ajude...

Tenho muito medo de não casar. Tive um homem que me dava tudo, e foi embora. E eu não tenho nada.

Aos 24 anos estudo e trabalho numa creche, alfabetizando crianças filhas de mães solteiras, carentes e cheias de problemas. Dou a elas um pouco do que nunca tive. Ou que só tive por pouco tempo, com meu namorado.

Ele era tudo para mim, ajudava-me a pagar universidade, levava-me para o serviço, para as aulas, vinha me buscar. Até comida na minha boca ele dava. Por ele, eliminei minhas amigas, deixei de sair sozinha, mudei meu jeito de vestir. 

Mas eu não pegava sol, nem chuva, nem Ônibus lotado e minhas prestações estavam sempre em dia. Até que de repente me largou para casar com outra, que ele tinha engravidado.

Minha preocupação é encontrar alguém que faça por mim o que tive com ele. Pois minha mãe morreu quando eu era ainda muito criança, fui morar com minhas tias, e só voltei a morar com meu pai aos seis anos, quando ele casou.

Agora estou com medo, pois sou pobre não tenho imóvel, nem jóias, apenas o dia, a noite e muita vontade de ficar rica. 

O senhor poderia me dar um conselho? 

 

RESPOSTA

 

Boa tarde, vou tentar ser o mais breve possível em minha resposta e o mais claro também.

Há um recado em suas palavras, e outro escondido atrás delas. As palavras dizem que você tem medo de não casar, porque se acha pobre e pressupõe que um marido deveria lhe dar tudo aquilo que você não tem e deseja: jóias, imóveis, riquezas...

As palavras dão conta de uma moça jovem mas de princípios antiquados, que vê num marido uma garantia mais segura do que qualquer emprego ou avanço que seus estudos pudessem lhe trazer. Uma moça que poderíamos até definir como interesseira...

Mas por trás das palavras o recado é muito nítido e para outra direção. O não escrito nos mostra uma moça mais carente do que as crianças que alfabetiza. Uma moça que, identificando-se como essas crianças, está querendo se ajudar a crescer.

Pois o que caracteriza os filhos de mães solteiras é a ausência de pai, e você perdeu o pai quando sua mãe morreu, para só recupera-lo, se é que o recuperou, aos seis anos de idade...

E quando você estava começando a crescer, estudos, trabalho, apareceu um namorado. Aparentemente, um namorado maravilhoso...

Na realidade, um namorado muito perigoso. Que, representando um papel que não era dele, fez que você sem perceber de forma inconsciente/consciente remete-se a uma idade que não era sua.

Papel de namorado não é levar, trazer, pagar contas, proibir, exigir, Esse é papel de pai. Nem muito menos dar comida na boca. Esse costuma ser papel de mãe...

Agindo assim, ele caiu em sua vida como uma luva que veste bem as mãos... Você não tinha mesmo completado seu crescimento, estava simbolicamente na fase da alfabetização. E diante desse dublê de pai/mãe voltou correndo para a infância.

Tentava, assim, recuperar o afeto perdido quando ainda criancinha, refazer-se da carência. Como um bebê, você se deliciou em não pegar "nem sol, nem chuva", ficar no abrigo das contas pagas, ter alguém que cuidasse de tudo para você.

Mas para isso teve que abrir mão das amizades, e, pior que tudo teve que desistir da alfabetização. Como bebê, você não sabia mais ler, não sabia interpretar o mundo. E assim não se deu conta de que bebê pode ser muito encantador, mas não supre as necessidades afetivas de um adulto.

A mulher com quem ele se foi está gravida, provavelmente não é um bebê. E você também deixará de sé-lo quando perceber que não é tão pobre quanto pensa, não tem só o dia e a noite, como bebê, cuja a única percepção é a claridade. 

Tem a si mesmo. Tem sua juventude, seu trabalho, sua capacidade de conquistar as coisas todas que deseja. Como adulta. 

E quando tiver se tornado adulta, será mais fácil receber o afeto, não de um pai, mas de um homem que a queira, como se quer uma mulher.

Se quiser ser acompanhada por um profissional na região onde mora, por favor mande-me um e-mail de resposta e eu indico um profissional mais próximo. Se pensa que não tem como pagar, não fique com vergonha de procurar o profissional e conversar com ele. Conversando você chegam à um acordo. Isso é uma atitude de um adulto.

Com carinho e agradecido por ter enviado seu e-mail.

 

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínico

em 20/05/2013

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