Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Carta - Homem tem medo de mulher inteligente?
Já fui noiva três vezes, sendo que o ultimo, e mais longo noivado, fui eu mesma que acabei...


 

Boa tarde Dr. Ronaldo, venho lendo seus texto e gosto do que vejo, queria lhe perguntar algo e assim ter uma ideia se vou ou não fazer terapia.

Tenho 34 anos bem vividos, mas não consigo encontrar um companheiro porque não estou disposta a me deixar dominar.

Já fui noiva três vezes, sendo que o ultimo, e mais longo noivado, fui eu mesma que acabei. 

Porém todos os outros homens que apareceram depois, preferem ter me somente como amiga. Muitos já disseram que sou mais independente, e que não querem mulher assim, que no fundo gostam de comandar e não de quem tem ideias próprias. 

Será que uma mulher tem que obedecer à velha imagem de docilidade para viver um grande amor?

 

RESPOSTA

 

Obrigado por você enviar seu e-mail, vamos ver se posso ajuda-la.

Até hoje, passado tanto anos de movimento feminista, as mulheres se perguntam se seria preciso abrir mão dos homens em troca da independência. É o que você me pergunta. Mas tenho certeza de se lhe respondesse sim, que os homens preferem as submissas, ainda assim você não estaria disposta a abrir mão da sua liberdade e das suas conquistas.

Entretanto, muitas das mulheres que se fazem a mesma pergunta ainda não ainda não conquistaram sua independência, e por conta dessa dúvida hesitam, ou até mesmo desistem. As mulheres, com razão, não estão dispostas a perder os homens. Mas também não estão dispostas a se perderem. E, divididas entre as duas possibilidades, sofrem.

Fiz há um tempo atrás uma palestra para professores e como sempre muitas mulheres, e não tardou a vir do auditório: os homens tem medo de mulher independentes? "tem!",respondi. Tem medo de mulher inteligente que questiona, que pode pôr o homem em xeque, que é diferente do tipo de mulher com que os homens foram acostumados a lidar.

Então a que conclusão podemos chegar? Que a independência impõe a mulher um outro tipo de escolha. Se para a mulher submissa o homem tem que ser do tipo poderoso, disposto a aguentar qualquer peso, a mulher independente deverá orientar-se para os homens que, mesmo sendo eventualmente fortes, não sofrem de complexo de Atlas (aquele cavalheiro mitológico super musculoso que sustenta a Terra nas costas).

Ou seja não se trata de procurar um homem pelo charme, pela beleza, pelo sucesso, mas, em primeiríssimo lugar, por suas idéias, e pelo seu desejo de encontrar na mulher uma companheira de seu mesmo nível, em todos os sentidos.

Por mais fascinante que um homem seja, seu fascínio será absolutamente inútil para uma mulher independente, se o que ele quer é comandar.

Em segundo lugar, devemos ter consciência de que a independência muda a base da relação homem-mulher. 

Com a mulher dependente, o homem estabelece uma relação paternalista, na qual lhe cabem o sustento, a proteção, a responsabilidade. Mas na qual lhe cabem também, como na relação do pai com seus filhos, a voz de poder, o direito de estabelecer limites para os outros e de ter poucos, ou nenhum, para si.

Com a mulher independente, a única relação possível é a da reciprocidade, na qual os limites são colocados para ambos de comum acordo, e o que vale para um vale para o outro. Isso tira do homem parte da mobilidade a que estava acostumado, sobretudo no terreno erótico. Mas alivia, em muito, o peso que carregava sozinho.

A realidade é que ao se tornar independente perde-se uma parte dos homens. Mas se ficarem passivas também perdem uma parte dos homens, aqueles que só gostam das mulheres independentes.

Na primeira opção perde-se mais quantitativamente, porque a grande massa dos homens brasileiros ainda prefere o velho padrão da submissão feminina.

Mas o que as mulheres perdem em número, ganham em qualidade, porque não há duvidas de que um homem igualitário é um companheiro melhor.

Espero ter colocado algumas virgulas em suas duvidas e que você continue a procurar um companheiro que pareça mais com você em igualdade.

 

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínico

em 06/06/2013

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