Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
SOBRE O PSICANALISTA
apresentação
ATENDIMENTO
faça o seu agendamento
CONTATO
fale conosco
Carta - Meu marido é ruim de cama
Ele, simplesmente, é um péssimo amante, apressado, pouco interessado em sexo, ele quer um prazer rápido no qual a minha satisfação não está incluída...

Dr. Ronaldo, venho lendo seu e-mail aqui postados e fiquei com vontade de enviar um para o senhor.

Meu marido jamais me fez feliz na cama. Casei virgem, muito ignorante das coisas do sexo. Mas percebi logo que havia algo errado, porque aquele prazer de que tanto tinha ouvido falar não acontecia para mim. Procurei me informar, li, falei com médicos.

Não há nada errado comigo. 

Ele, simplesmente, é um péssimo amante, apressado, pouco interessado em sexo, ele quer um prazer rápido no qual a minha satisfação não está incluída. 

Faz agora sete anos anos que estamos casados. E o problema fica mais ainda maior porque, apesar de mau amante, é ótimo marido. Provedor, agradável, alegre, não fosse o sexo, não teria nenhum motivo para querer me separar dele.

E só o sexo não me parece razão suficiente. Ainda assim vivo com um peso no coração suficiente. Ainda assim vivo com um peso no coração e tenho a sensação de estar jogando fora uma parte da minha vida.

 

RESPOSTA

 

Oi!!! Fico feliz em saber que o e-mail de outros encorajou você a enviar o seu. 

Que situação tão sofridamente individual e tão dramaticamente coletiva é essa sua! ÀS vezes, conversando com mulheres, tenho a sensação de que o universo conjugal feminino é ainda um grande império de frustração sexual, de renúncia, de calada humilhação.

Mas os tempos mudaram!!!!! Ouço vozes gritando dentro e fora de mim. Sim, de fato, os tempos mudaram. Mas você é jovem, uma mulher de novos tempos.E continua presa numa armadilha que acreditávamos ter desativado.

De fato, houve mudanças. Antes, as mulheres se consideravam ruins na cama por destino e vocação. E se,ao casar, o sexo se revelasse de entristecedora aridez, assumia-se imediatamente a culpa pelo fracasso. 

Estava insatisfatório por que elas não entendiam do riscado e porque, como sempre tinham ouvido, traziam a frigidez nas veias. A culpa certamente não poderia ser dos homens, que sabiam elas que foram treinados em altas lides, frequentadores de coxas profissionais mais habilidosas do que as das suas próprias mulheres.

Então elas se calavam a decepção, ensaiavam se tanto alguns suspiros mais eróticos, e se recolhiam à vergonha da suas inadequações físicas.

Agora não. Agora as mulheres sabem que essa história de frigidez era muito mal contada. E se a coisa não vai, fazem como você. Lêem, perguntam a outras mulheres, procuram médicos e acessam o Google. E acabam descobrindo, como você, que sua sensualidade vai muito bem obrigada.

Mas, ao descobrirem sua competência erótica, as mulheres deparam com uma verdade até então insuspeitada: os homens não são nem de longe tão bons de cama como se apregoava.

Por essa as mulheres não esperavam. A caminho das descobertas sexuais, enquanto batalhavam para tomar posse do corpo, achavam que, uma vez assumido o seu potencial, só teriam que cruzar com o notório potencial masculino para, afinal, voltarem para o paraíso do qual a má eroticidade nos havia expulso. Não contavam com a possibilidade de um equivoco generalizado.

E agora o equivoco se evidencia, inegável, prendendo tantas mulheres em novas armadilhas.

Os homens, quando envolvidos em insatisfação erótica no casamento, nunca tiveram hesitações. Instituíam outra mulher, de capacidade e deveres específicos, sem que isso significasse dramas de consciência ou desdouro. Muito pelo contrário.

Hoje, quando consideramos os direitos dos homens como idênticos aos direitos das mulheres, seria apenas normal que utilizassem a mesma solução.

Eu poderia dizer a você: arrume um amante talentoso e pare de se atormentar. Mas ao reivindicar os seus direitos, estão, felizmente, evitando a simetria mais simplória. Se arrumar um amante fosse satisfatório para você, não precisaria que eu aconselhasse. O que você busca é o par, bem resolvido.

E como resolvê-lo? Se a gente soubesse isso, sabia tudo. Mas a gente tenta. (rsrsrsrsrs) Tenta conversando com o parceiro. Às vezes dá certo. Às vezes não dá. Algumas mulheres tem vergonha de dizer gosto disso, quero aquilo.

Alguns homens não gostam que elas digam. Algumas mulheres não tem vergonha, os homens até ouvem, mas na hora de fazer, não fazem, e se elas reclamarem vira cobrança, acaba dando briga. Mas se o efeito de conversar é duvidoso, o efeito do silêncio é sempre catastrófico.

Tenta-se recorrendo a profissionais. Às vezes eles não gostam de sexo. Ou tem traumas. Ou é um ejaculador precoce. São problemas que exigem ajuda técnica, externa. Procurá-la não é vergonha para ninguém (embora os homens costumem relutar muito) e pode, realmente, conduzir à solução. Tenta-se, sobretudo, valendo-se do amor. 

Você disse que seu marido é ótimo. Então, acredite nisso. E tente tirar disso o máximo proveito. Não calando-se para não feri-lo, mas, ao contrário, procurando a sua ajuda. Porque, seja qual for a solução de vocês, ela só existirá se a alcançarem juntos.

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínico

em 06/06/2013

Voltar

Principal / Pense comigo / Contato / Agenda online
www.ronaldodemattos.com - Todos os direitos reservados 2009 - 2013