Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Carta - Quero casar, mesmo sem orgasmo
Gostaria de me casar o mais rápido possível, mas tenho medo dos problemas futuros em relação a sexo. Nós já temos relações, mas aquele prazer de que todos falam eu jamais o senti...

Dr. Ronaldo, estava lendo suas postagens e percebi o quando precisava desabafar. Você pode me dar um conselho?

Sou uma garota jovem, tenho 18 anos e estou noiva. Gostaria de me casar o mais rápido possível, mas tenho medo dos problemas futuros em relação a sexo. Nós já temos relações, mas aquele prazer de que todos falam eu jamais o senti.

Sei que isto trará muitas complicações no futuro, não só a mim, mas também a ele. Muitas vezes, quando ele me toca, eu deixo apenas para não vê-lo chateado, mas não gosto, e às vezes chego até a sentir raiva, não por não gostar dele, porque eu o adoro e sei que ele me adora também, mas por eu não saber o que esta acontecendo comigo.

Apesar de tudo, eu não posso jogar a culpa toda em cima de mim, porque ele tem ejaculação precoce, e acho que isso também influi um pouco, desejo ser feliz com ele, e espero encontrar solução para o meu problema.

O que você poderia me ajudar como conselho? Estou meio perdida e não sei o que fazer e quem procurar.

 

RESPOSTA

 

Oi!!! Fico muito agradecido que tenha lido essas postagens e assim sentir desejo de procurar um conselho e uma ajuda.

Agora pense comigo:

Por que é que uma menina como você, de apenas 18 anos, com um grave problema pela frente, quer se casar "o mais rápido possível"? Por que é que uma moça lúcida como você quer pegar uma relação já emperrada num ponto fundamental, e transformá-la em definitiva? Será que você tem medo de que, com a demora, o problema se evidencie e desmante-le o noivado?

Mas não é mais amedrontador pensar que, adiante, ele poderia desmantelar o casamento? Ou você considera o casamento um laço tão forte a ponto de segurar juntas duas pessoas que não se entendem sexualmente?

Assusta-me pensar na quantidade de moças que tomam atitude semelhante, na quantidade de mulheres que entram no casamento já em déficit sexual, já dispostas de saída a renunciar à sua satisfação, ou iludindo-se de que o tempo, por si só, trará a solução.

Você mesma parece estar no bom caminho para se tornar uma esposa "cumpridora" nos moldes antigos. Não gosta dos contatos sexuais, mas deixa, para não aborrecer o noivo. E, além de deixar sem gostar, ainda se culpa como se só em você estivesse a causa do desprazer.

E me escreve: "Tenho medo dos problemas futuros", com quem, em vez de aceitar esses problemas como realidade presente, a ser resolvida ante de tomar qualquer outra atitude, já os considera assumidos, e os projeta para o amanhã. 

Na verdade, você só terá problema futuros se quiser, ou por não resolvê-los agora, ou por insistir em casar apesar deles.

Por enquanto, você tem apenas um problema presente. E não se trata, como pensa, de um problema eminentemente sexual. Mas é, segundo suas próprias palavras, o fato de não saber o que acontece consigo, o que faz com que não goste quando ele lhe toca.

O seu "não gostar" pode depender dele, do modo como ele age, das ocasiões escolhidas, da antecipada desilusão por saber que a relação será, forçosamente, muito rápida e insatisfatória. Mas pode também não ter nada a ver com tudo isso, e nada a ver diretamente com ele.

É ai que entra a necessidade de se conhecer. A abertura para o sexo costuma estar programada em nós bem antes de qualquer experiência sexual mais completa, resultante da sobreposição e do entrelaçamento de emoções e relacionamentos localizados, sobretudo, na primeira infância.

Acrescente-se ainda a influência do mundo formativo, da casa, da escola, da igreja. A soma disso tudo é que vai decidir a reação positiva ou negativa a um toque amoroso.

Você poderia não ter prazer sexual, e ainda assim gostar de ser tocada. Aliás, a maioria das mulheres que não têm prazer sexual gostam muito dos toques e de todos os preliminares. E, da mesma maneira, seria perfeitamente possível que você tivesse prazer sexual apesar da ejaculação precoce dele. 

Bastaria que tivesse antes da penetração, ou até mesmo depois do prazer dele. A relação sexual é tão variada que nos permite encontrar o prazer de infinitas maneiras.

Mas para isso é preciso entendimento de si. E entendimento entre os parceiros.

E aí, me parece, então seu segundo desentendimento. Você deixa, mas não gosta. Ele sabe que você não gosta? E até onde sabe? Você não quer que ele se aborreça, ou tem medo de que a ache fria? Você se culpa, ou tem medo que ele a culpe? Ele sabe das suas interrogações? e dos seus medos? Enfim, você e ele estão tentando resolver o problema juntos, ou você está tentando resolvê-lo por sua conta, sem que ele saiba ou se "chateie" com isso?

Dificilmente alguém tem um problema sexual sozinho. Mesmo pessoas muito complicadas sexualmente podem encontrar um parceiro com o qual as complicações se entrosam, ou até desaparecem.

Mas, infelizmente, ainda são muitos os que tentam desfazer sozinhos os nós da sexualidade, por vergonha, por medo de perder o outro, por não querer confessar aquela que parece ser uma falta grave.

Em sexo, não há falta nem culpa. Há descompassos. E os descompassos ficam mais fáceis de sanar quando, nessa dança vital, procuramos o ritmo junto com o companheiro.

Se quiser enviarei dois ou três nomes de profissionais que conheço na sua região, e eles certamente ajudaram a vocês dois e ajudará a você se perceber melhor...

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínico

em 06/06/2013

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