Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Carta - Quero deixar de ser virgem
E todos eles se recusam a ter sexo comigo, porque nenhum quer ser o primeiro. Até o ginecologista, a quem pedi que me livrasse cirurgicamente desse mal, se recusou...


Bom dia dr. Ronaldo de Mattos, venho lendo suas postagens e queria saber algo que tenho enfrentado constantemente.

Tenho 32 anos, curso Mestrado, e sou bonita, tendo até vencido concursos de beleza aos 18 - 20 anos. Na rua os homens me olham, me paqueram. Mas quando se aproximam de mim acabam descobrindo meu problema: o hímen.

Sou virgem, mas não porque eu queira e sim porque os homens me repelem quando ficam sabendo disso. Uma vez, num motel, um descobriu quando ia me penetrar, e até me bateu.

E todos eles se recusam a ter sexo comigo, porque nenhum quer ser o primeiro. Até o ginecologista, a quem pedi que me livrasse cirurgicamente desse mal, se recusou. Não sou nada puritana, muito pelo contrário.

E já em desespero me pergunto, será que é impossível encontrar alguém que me aceite como sou?

 

 

RESPOSTA

 

 

Minha amiga seu caso me parece raro. Mas é menos do que imagina. Perder a virgindade é fácil até certa idade. Depois, os homens relutam. Por quê?

Tabu da virgindade. Sim, ainda existe. Sim, ainda é muito forte para muita gente. Fala-se constantemente em liberação sexual, mas uma recente mostrou que mais ou menos 50% ainda dos jovem brasileiros acham que a virgindade é um valor importante. Isso os jovens, aos quais costumam-se atribuir cabeças mais abertas.

Portanto, em pleno século XXI, o lacre fisiológico de que você tanto se queixa ainda é uma espécie de tesouro. Isso me fez lembrar que as mulheres estão fazendo cirurgia para recolocar o hímen.

Mas se é tesouro e você está oferecendo tão generosamente, por que não há fila à sua porta para buscá-la?

Medo da grande prova. Há mistério no tesouro. Tanto que apossar-se dele foi considerada frequentemente tarefa heroica. Existem culturas em que é outra mulher quem pratica a defloração, às vezes com a ajuda de algum instrumento, para não encostar sequer no hímen.

Na Idade Media era um direito que pertencia ao rei ou o senhor feudal, ainda confundidos com poderes celestiais. E há mesmo registro de que, em alguns lugares do Extremo Oriente, tenha havido homens cuja única obrigação social era a de desvirginar as donzelas. O hímen prende-se ao mistério do nascimento, ao segredo da vida, e, como tal, pode ser muito atemorizador.

Ponhamos isso em termos mais moderninhos. Diante de uma mulher virgem que já passou da primeira juventude, um homem pensa várias coisas:

* Por que ela ainda é virgem? Isso o enche de suspeitas, como se o fato de nenhum homem ter adentrado ainda esse caminho, signifique terem todos visto perigos que ele, mais incauto, não está vendo.

* Por que ela está escolhendo a mim? A pergunta é feita com desconfiança, e já traz embutida a resposta apavorante: porque ela quer me prender! Ou seja, o oferecimento é visto não como um gesto generoso, mas como uma arapuca, em que romper o hímen equivale a assumir um compromisso.

* Ela vai me dar um trabalho danado. Significando isso que ele terá que lhe ensinar, de uma só vez, aquilo que ela deveria ter aprendido em múltiplas reprises.

*Ela vai gostar e não vai querer outra coisa. Assim como pensa que ela pode ser uma negação, ele também pensa que, graças a seu inigualável talento viril, ela achará uma tal maravilha que quererá mais e mais, escravizando-o ao seu desejo.

* Não vou dar conta do recado. Esse pensamento aflora todo homem, em toda primeira relação com uma mulher. Mas se faz mais intenso com uma virgem, quando o homem tenta se comparar a todas as fantasias sexuais dela, e à pressão crida por tanta repressão. Ele teme não fazê-la feliz. Ou, tendo-a feito, não conseguir manter o ritmo com que ela tentará recuperar o tempo perdido.

* Ela está me usando. Ele teme que não haja nada pessoal no oferecimento, e que ele tenha sido escolhido só para amar como instrumento.

Com todos esses pensamentos fervendo na cabeça, é compreensível que se retraia.

Mas você, como chegou aí? Sim, porque essa é uma situação que se criou ao longo dos anos. Progressivamente. E é provável que tenha havido um tempo em que você, mais do que ninguém, considerava preciosa a virgindade. E é provável que esse seu conceito tenha refreado os possíveis pretendentes. E tudo indica que ainda hoje parte dessa preciosidade a acompanha. Porque se tratasse apenas de um hímen e não de algo mais simbólico e importante, você própria poderia tê-lo rompido.

Se assim for, antes de procurar um homem para resolver seu problema, seria aconselhável tentar descobrir por que o problema se criou. 

Se você quiser, estou enviando alguns nome de uma Psicanalista para ajuda-la nesta observação do sujeito.

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínico

em 06/06/2013

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