Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Carta - Ele quer troca de casais
Meu marido e eu temos usado um e-mail e um blog para encontrar novas pessoas para transas sexuais...

Oi!!!! Venho lendo seus textos e percebendo que a terapia não é uma coisa para "loucos"(rsrsrsrsrs), acho bem interessante sua abordagem e a forma tranquila que você responde as questões. Dr. Ronaldo gostaria de tirar uma barreira que está me atrapalhando, por favor o que devo fazer?

Meu marido e eu temos usado um e-mail e um blog para encontrar novas pessoas para transas sexuais (graça a Deus não tivemos nenhum casal que eu tenha se interessado).

Já faz alguns anos que ele prática ménage. Não gosto da idéia. E não consigo topar nenhuma das variações propostas por ele: Nem casal, homem, ou mulher. 

Não sou nenhuma santinha. Já tive muitos encontros com outros homens, já superei a fase de só sair com homens mais velhos, e tive bons momentos com jovens que chegam a ter a idade dos meus filhos.

Mas o que é agora esse medo, essa porteira travando minha vida sexual? Preconceito? Egoismo? O mundo andou e eu esqueci de acompanhar? Ou sou uma romântica irrecuperável?

 

 

RESPOSTA

 

 

Se todos tivessem o entendimento de que fazer uma terapia é importante e preventiva, entenderiam o que Freud disse:"A Psicanálise é,em essência,uma cura pelo amor". E o psicanalista Renato Mezan disse: "A psicanálise pode ser tudo, menos complacente com nosso profundo desejo de iludirmos a nós mesmos".

Então ela não é para um grupo em si, mas um convite a toda a sociedade a se ré-pensar em seus desejos.

Mas vamos falar sobre o seu e-mail. Tudo parece, menos que você seja uma romântica irrecuperável. Não é de romantismo que se trata, mas de uma ligeira confusão entre o que seja liberação e desejo. 

Você fala com desenvoltura dos hábitos sexuais do seu marido. Não explica bem a questão do ménage, mas sendo a expressão completa ménage à trois (relação a três), deduzo que ele o pratique com outros casais.

Você não gosta, mas evidentemente concorda, já que é pratica antiga, de anos. Obtém assim uma legitimação para os seus próprios casos amorosos frequentes e prazerosos. 

Até ai, ao que parece, tudo corre na mais santa ordem. Mas agora ele quer ir um passo a adiante: em vez de ménage fora de casa, o Swing domestico. 

Provavelmente, apresentou bons argumentos, falou em liberação, o sonho de tê-las com você participando. E aí você pode ter pensado que, já que se relaciona com outros homens, com o conhecimento do seu marido, poderia perfeitamente fazê-lo na presença dele.

Apresentada assim, a questão parece de uma lógica cartesiana. e é quase justo que você se surpreenda ao perceber que, embora aparentemente mínima, a distância a superar, entre a velha e a nova situação, é grande demais para as suas pernas. O equivoco está em culpar as pernas, em vez de medir melhor a distância.

Pelo que você diz, nunca se privou de nada que realmente quisesse. Teve os homens mais velhos, e os mais jovens. atendeu, sem preconceito, ou ciúme, as atividades eróticas do seu marido. Ele também fez sempre o que quis. São, como se diz, um casal liberado.

Mas o que está acontecendo agora é que, para sua realização, o desejo dele precisa do seu. E o seu desejo não é o mesmo que o dele. Você pode desejar outros homens, mas não deseja fazer sexo com outro casal.

Já lhe ocorreu que isso pode não ser um preconceito? Nem uma limitação ao seu prazer? E que na cama como na mesa cada um tem seu gosto, deleitando-se um com aquelas mesmas cebolas que a outros repugnam?

O mundo andou é verdade. Há uns quarenta anos atrás você não me enviaria esse e-mail, e se escrevesse, é pouco provável que fosse publicado. A vantagem maior desse avanço, porém, foi que ele se fez na direção da liberdade individual, e não na de novas imposições de comportamento.

Hoje, se um casal deseja muito ir para a cama com outro casal, mas não o faz porque tem medo, porque acha que é feio, ou imagina o que diriam os outros se soubessem, está sendo preconceituoso.

De igual maneira, podemos considerar preconceito um casal que, não tendo desejo, se deite com outro casal só para ser "liberado", ou eventualmente para agir como outros casais do seu grupo. Preconceito, nas questões de sexo, é agir, não em atendimento ao desejo, mas sim em obediência a modelos externos ditados pela moral do momento.

Não creio que suas pernas tenham encolhido. Tudo indica que elas querem apenas ir onde quiser, sem indução.

Você tem, entretanto, um problema verdadeiro em relação ao seu marido. Ele quer uma coisa, e você outra. E isso, em se tratando de sexo, é sério.

O problema não é novo... Você nunca gostou da idéia de ele praticar ménage à trois. Não sei como conviveu com esse "não gostar". Provavelmente, adaptando-se. Os novos desejos dele, porém, são de adaptação mais complicada, porque exigem participação ativa.

A tendencia feminina tem sido de se amoldar aos desejos do homem. Porque ele representa o papel do mais sábio, porque é o desbravador sexual, e porque diz a lenda que é mais fogoso, é ele quem costuma ditar as regras na cama.

A chance real de você medir sua liberação está aí, na hora de aceitar o que ele quer, ou mostrar-lhe que cada um tem seus limites, e que o amor consiste em respeitá-los.

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínico

em 06/06/2013

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