Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Revolução na Aréa Pedagogica
A produção do saber ocorre no mundo, muito pouco na sala de aula. Lá é o local típico da reprodução do conhecimento...

REVOLUÇAO NA ARÉA PEDAGOGICA

A grande mudança a ser feita no papel da instituição de ensino, seja nas escolas Fundamentais, Secundárias ou de Ensino Superior, não esta nos prédios, quadros, cadeiras e etc.
Está na pratica das pessoas, mais que isso, deve ser uma revolução didática - pedagógico. O problema crucial é o mesmo das demais escolas em todo Brasil, centrar o foco no ensino e não na produção do saber.
Tanto nos cursos fundamentais ou nos cursos superiores o que se tem é uma preocupação com o formalismo do ensino, ou seja, com a reprodução do conhecimento.
E qual o lócus onde ocorre a reprodução do conhecimento? A sala de aula. Talvez não tenhamos conseguido demonstrar à comunidade estudantil e principalmente a Universitária que o pior ambiente de aprendizagem da sociedade moderna é a sala de aula. Exatamente porque a sala de aula é o lócus da reprodução do conhecimento. A produção do saber ocorre no mundo, muito pouco na sala de aula. Lá é o local típico da reprodução do conhecimento.
A não ser que haja uma quebra de paradigmas e o espaço da sala de aula passe a funcionar como um ambiente de aprendizagem.

Ambientes de Aprendizagem

Jonassen [1997] sistematiza as qualidades que o processo de ensino e aprendizagem deve possuir de forma a fomentar uma aprendizagem significante (meaningful) e que, portanto, podem fornecer orientações para a prática pedagógica. O processo de ensino e aprendizagem deve possuir as seguintes qualidades que se interligam:
Colaborativo
Criando condições e estimulando, contribuições, naturalmente diferenciadas, de cada membro da comunidade em aprendizagem de forma observável e partilhada, constituindo contributos eficazes para as aprendizagens a nível individual. Trata-se de facilitar a exploração de capacidades entre os alunos como uma forma natural de aprender em comunidade de aprendizagem e de construção de conhecimento.
Conversacional
Promovendo e facilitando um processo social e dialógico de construção de sentido e de conhecimento, promovendo a participação dos alunos numa comunidade de construção de conhecimento e o desenvolvimento de múltiplas perspectivas sobre a realidade e de múltiplas soluções para a resolução de tarefas e problemas.
Reflexivo
Promovendo a auto-avaliação, a confrontação com os resultados dos membros da comunidade e a articulação com as decisões tomadas e as estratégias seguidas, conduzindo a uma melhor compreensão da realidade estudada e tornando o que se aprende mais adaptável a outras situações.
Contextualizado
Situando as atividades de aprendizagem a desenvolver em relação a tarefas reais ou simuladas com base em casos, problemas ou questões e proporcionar uma aprendizagem melhorada e mais transferível para outras situações. Contextos úteis e diversos oferecem a base para os alunos praticarem o desenvolvimento de conhecimento e de competências relevantes no mundo real.
Complexo
Confrontando os alunos com a natureza complexa e pouco estruturada de problemas reais, de forma a evitar o desenvolvimento de visões simplistas da realidade e proporcionando uma compreensão de múltiplas perspectivas sobre os problemas e soluções no mundo real.
Intencional
Articulando os objetivos dos alunos com o processo de aprendizagem, contribuindo para um comprometimento ativo e intencional dos alunos no cumprimento de objetivos cognitivos. O processo deve explicitar clarificar e articular finalidades para as tarefas, atividades e em geral para todo o processo de aprendizagem em que participam os alunos.
Activo e Manipulativo
Envolvendo os alunos em processos mentais de processamento de informação, de cujo resultado são responsáveis e que incluem a possibilidade de construir um produto, de tomar decisões, de modificar parâmetros e de utilizar ferramentas que de alguma forma simulem experiências do mundo real.
Construtivo
Confrontando os alunos com experiências de aprendizagem, apoiados pelos docentes e/ou pelo grupo em aprendizagem, que lhes exijam a construção de conhecimento, integrando novas idéias em conhecimento anterior (considerando e valorizando a experiência prévia), acrescentando sentido e desenvolvendo representações mais complexas da realidade.
Os ambientes construtivistas de aprendizagem (ACA) devem integrar componentes, estruturar atividades e disponibilizar ferramentas de apoio ao processo de aprendizagem. Devem proporcionar experiências de aprendizagem baseadas em problemas ou projetos e para tal serem constituídos pelos seguintes componentes:- Contexto Num ACA deve enunciar-se claramente o problema ou projeto que se tornará o foco principal das atividades do ambiente. No entanto, o contexto em que o problema ocorre deve ser apresentado de uma forma aproximada ao que seria na vida real.
- Representação / Simulação
Num ACA o problema apresentado deve simular de forma autêntica as situações num contexto natural. A simulação deve recriar o mesmo tipo de desafios cognitivos que as pessoas enfrentam no mundo real e as tarefas atribuídas ao aluno devem replicar as estruturas de atividade reais, devendo a situação física representar e exibir os mesmos constrangimentos e facilidades das ações possíveis no mundo real, devendo as ferramentas mediadoras de a atividade ser representadas e disponibilizadas.
- Espaço de Manipulação
Num ACA os alunos, para se envolverem de uma forma reflexiva, têm que ter a possibilidade de manipular alguma realidade, isto é, construir um produto, manipular parâmetros, tomar decisões ou afetar o ambiente de algum modo significativo. As principais atividades instrucionais associadas a estes ambientes são a modelagem (modelling), o treino (coaching), o andaimamento (scaffolding) e a autonomização (fadying). A modelagem tem como principal função mostrar ao aluno como conseguir praticar as atividades necessárias para levar a cabo uma tarefa ou objetivo. A idéia é ajudá-lo a articular o raciocínio com as tomadas de decisão envolvidas em cada passo do processo. O treino tem como principal função intervir nos pontos críticos da instrução para fornecer ao aluno encorajamento, diagnóstico, direção e feedback. Varia entre a simplicidade do fornecimento apropriado de sugestões pré-programadas e a complexidade de proporcionar aos indivíduos ferramentas para a análise da sua atividade e ajuda na sua orientação.
O andaimamento tem como principal função ajudar o aluno ao nível do seu desempenho em tarefas. O andaimamento tem que tomar em conta os aspectos sistêmicos que podem afeta o desempenho e focar-se na tarefa, no ambiente, no docente e principalmente no aluno.
A autonomização tem como principal função assegurar que o ambiente de aprendizagem proporciona, a prazo, aos alunos, um desempenho autônomo. As principais ferramentas de construção de conhecimento associadas aos ACA são:
- Ferramentas de representação do problema
Ajudam os alunos a melhor representar o problema ou tarefa sobre que se está a debruçar. Geralmente concretizam-se em interfaces gráficas, representando visualmente os dados e as aplicações a serem manipulados. Estas ferramentas de visualização devem reproduzir com fidelidade as imagens requeridas para compreender as idéias e as estruturas de atividade necessárias para resolver os problemas. - Ferramentas de modelagem estática ou dinâmica
Ajudam os alunos a representar o que sabem ou o que estão a aprender recorrendo a modelos que podem oferecer diferentes níveis de interação.
- Ferramentas de suporte do desempenho
Ajudam os alunos a reduzir o esforço cognitivo, automatizando ou ultrapassando algumas tarefas cognitivas de baixo nível. Devem identificar-se na estrutura de atividades as tarefas rotineiras que podem ser distractivas e providenciar ferramentas para automatizá-las ajudando o aluno a organizar e tratar a informação.
- Ferramentas de recolha de informação
Ajudam os alunos a recolher informação necessária para resolver o problema ou tarefa, como sejam motores de busca e agentes inteligentes.
- Ferramentas de conversação e colaboração
Ajudam o aluno nos aspectos colaborativos e conversacionais inerentes a uma genuína aprendizagem. Facilitam o acesso à informação partilhada e às ferramentas de construção social do conhecimento, favorecendo a resolução de problemas pelo trabalho em grupo e subjacente desenvolvimento de conceitos partilhados.

RONALDO DE MATTOS - PSICANALISTA CLÍNICO

 

Referência Bibliográfica
JONASSEN, D. "Designing Constructivist Learning Environments", INSYS, 527 (1997).

em 20/11/2009

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