Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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E viveram felizes para sempre...
O que estou tentando explicar com isso é que casamento não é exatamente um anúncio de pasta de dente...

"Ai casaram. E foram felizes para sempre". Acho que se eu escrever cem artigos sobre casamento começa os cem com essa frase, que de tão alucinada e reveladora não se sai ou entra da cabeça. 

É uma chave, uma senha. É como dizer "borboleta amarela" e começar uma revolução.

A gente repete "... e foram felizes para sempre," e perceber imediatamente que ali está à chave principal para a resposta sobre expectativas de casamento. 

É isso que muita gente espera quando casa. Ser eternamente feliz. Não casa para estar com o outro, ter filhos, batalhar, viver, crescer dentro daquele conjunto heterogêneo caótico e amalgamado que chamamos de família.

Casa para ingressar no castelo aonde se chega a dois no dorso de um único cavalo, possivelmente branco, e a partir do qual não existem mais bruxas, lobos, maçãs envenenadas, dragões chamejantes, passando a vida a transcorrer tão beatífica e perfeita que nem vale a pena ser contada.

Mas o que significa, na realidade, ser feliz?

Receita eu não tenho, nem ninguém tem. Tenho essa tal felicidade minha, e posso contá-la, quem sabe, até para tirar-lhe parte do Glamour.

Começam a aparecer no meu rosto rugas de expressão, mas garanto que não são de tanto rir, pelo contrário, marcam-se no meio da testa, entre as sobrancelhas, de tanto franzi-las. Das sobrancelhas a gente fala depois. Por enquanto digamos que minha felicidade conjugal não é feita de eternos risos e que não abro os olhos de manhã exibindo os dentes para o novo dia,.

Posso até afirmar que sorrio com comedimento, não mais, talvez, do que a maioria das pessoas.

O que estou tentando explicar com isso é que casamento não é exatamente um anúncio de pasta de dente. No castelo para onde se vai a dois, a vida continua. A diferença é que não se é mais sozinho para caçar o lobo.

E agora, quando quero pegar a minha tal felicidade para mostrá-la concretamente a vocês e dizer "está aí, existe", ela parece que fica se escondendo nas dobras do cotidiano. Mostra a ponta do rabo atrás porta que pintei antes de começar a escrever, me acena na estante entre os livros do nosso trabalho, se eclipsa nas broncas com o meu filho, reaparece no carrinho do supermercado, e ri de mim que neste instante quando fico pensando como colocar as palavras.

Essa é, basicamente, nossa vida de castelo. A minha felicidade e eu vivemos mansamente, sem grandes embalos, sem recepções eternas, sem muitos convidados.

Uma vida de trabalho, filho, cunhado, sogra, mãe, irmãs, pequenas tarefas domesticas, fins de semana na correria. Só isso.

Só isso? Mas então não é castelo coisa nenhuma. Isso é uma reles casa, o louco mentiu...

Bem, acredito que a felicidade está em viver com os olhos abertos. Uma relação não tem haver com o outro e sim com o que eu espero e o que eu estou disposto a viver...

Pense nisto... Depende sempre de você...

 

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínico

em 22/10/2013

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