Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Sexo que todos falam
Pelo contrário. Todos são tão fogosos, que temos a impressão que bastaria encostar e logo incendeia...

De sexo todos fala. E como falam!!!! Não ouço ninguém abrir a boca para dizer que tem um rendimento modesto, que a média de uma relação por semana lhe é perfeitamente satisfatória, que acha orgasmo ótimo, mas nem sempre consegue.

Pelo contrário. Todos são tão fogosos, que temos a impressão que bastaria encostar e logo incendeia. 

Assim como os personagens do cinema, dentro e fora da tela. E bota fogo nisso!

Se uma estrela tem cinco maridos, não é porque tenha fracassado com todos, mas sim porque, identifica às personagens que interpreta, é tão sedutora e seduzível que torna-se impossível resistir.

Percebo isso também com as personagens de determinada faixa de literatura, exatamente aquela de maior consumo.

Vejamos, por exemplo, Harold Robbins, autor de best-sellers devorados no mundo inteiro, assim como os cinquenta tons de cinza. Esse autor descreveu uma cena de amor:

Começa quando a heroína desabotoa as calças do herói e: "ele pulou-lhe em cima como um leão feroz." Prossegue até nos revelar que: "depois que orgasmo pós orgasmo haviam transformado seu corpo numa tempestade de chamas, ela suplicou: Vem, vem buscar o teu prazer comigo... depressa! Antes que eu morra!"

E finaliza: "Um rugido subiu do fundo da sua garganta e suas mãos esmagaram-lhe os seios.

Ela quase gritou, enquanto seus dedos afundavam no pelo do seu peito. Então todo seu peso pareceu cair sobre ela, tirando-lhe o fôlego, e ela sentiu o jato quente do seu sêmen derramar-se no seu interior, como uma viscosa torrente de lava."

Imagino a perplexidade de milhares de mulheres, confrontada com esses exemplos alucinatórios e tentando em vão justá-los a sua própria experiência sexual.

Alias, não é preciso imaginar, pois elas próprias me contam em seus e-mails. Disse uma noiva de 19 anos: "Leio muitos livros e revistas sobre sexo. E quando estou com o meu noivo não consigo tirar da cabeça o que li.

Fico o tempo todo me preocupando se estou fazendo certo, se estou agindo como aprendi. Nem sei se alcanço o orgasmo. E fico com medo de não ser uma boa parceira para ele. Será que não estou tendo um bom desempenho sexual?"

Entre as tantas coisas que essa moça lê nas revistas, está, provavelmente, a recomendação de prestar atenção nas suas sensações, de entregar-se a tentar acompanhar apenas os impulsos do seu corpo.

Mas não é isso que mais chama a sua atenção. Atraída por performances olímpicas enfeitadas de rugidos e de lava ardente, ela se esforça para ouvir, ou faze ouvir ao noivo,sinos tocando, mundos despencando.

Mais se esforça no caminho errado. Repete uma lição bem decorada, que pode não ter rigorosamente nada a ver com ela e com suas necessidades sexuais. E obcecada nessa repetição, tranca as portas da sua sensibilidade.

Eu gostaria que, entre tantas coisas, esta moça lesse o que diz a esse respeito John Messenger, antropólogo americano especializado no estudo do comportamento sexual em diversas sociedades: "Eu gosto de crer que o sexo deveria ser desfrutado por sua pura magnificência, e nada mais do que isso.

Mas sexo só é magnífico quando você o faz do seu jeito e com a pessoa que você escolhe. Ou seja, muito ou pouco, como você preferir, e de acordo com seus gostos e preferências. “Infelizmente, esse já não é o habito de muitas sociedades, e certamente não é a nossa.”

E acrescenta: "Muitos jovens, sobretudo, fazem sexo quando na realidade não querem, e fingem gostar apesar de não obterem realmente grande satisfação, só para garantir a aprovação do seu grupo. Nesse caso a nova moralidade transformou-se num novo tipo de conformismo, e o conformismo é sempre doloroso para a maioria das pessoas às quais é imposto."

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínico

em 22/10/2013

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