Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Política de Saúde: Marketing e Laboratório
Os antidepressivos ultrapassaram a barreira das doenças nervosas e são usados não apenas em casos de distúrbios psicológicos, mas também para atacar enxaquecas, dores...

As coisas não são sempre o que parece, estamos em uma época a qual os conflitos de interesse cada dia mais passam pela pressão de laboratórios e suas novidades medicamentosas.

Uma substância extraída de um legume africano promete mandar o desânimo. O nome parece um código científico: 5HTP. Significa 5 hidroxitriptofano, que age da mesma forma que o triptofano, substância precursora da serotonina, o neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar.

Só que é mais poderoso no processo da “felicidade”. “O 5HTP sai da corrente sanguínea mais facilmente em direção ao cérebro, onde aumenta a síntese da serotonina no sistema nervoso central”, afirma Wilson Rondó Júnior, clínico-geral especialista em terapia ortomolecular, de São Paulo. Níveis elevados de serotonina contribuem para garantir prazer e melhorar o humor

A serotonina em alta também minimiza os ataques incontroláveis de gula e, por isso, os assaltos à geladeira ficam mais raros. “A falta desse neurotransmissor no cérebro está intimamente associada à compulsão alimentar e ao aumento do desejo de massas e doces”, diz a médica ortomolecular Heloísa Rocha, do Rio de Janeiro.

Os antidepressivos ultrapassaram a barreira das doenças nervosas e são usados não apenas em casos de distúrbios psicológicos, mas também para atacar enxaquecas, dores crônicas e reumáticas, bulimias, anorexias, ou seja, passou a se constituir numa saída para tudo que aflija, de alguma maneira, o ser humano. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que todos os médicos, de qualquer especialidade, já tenham receitado, em alguma situação, antidepressivos.

Esse exagero na prescrição está assustando médicos, especialistas, organismos de saúde pública. Boa parte das vezes a receita sai por pressão do paciente, para uso com outros fins, como em regimes de emagrecimento. Outras vezes, porém, é indicado para encurtar tratamentos psicoterapêuticos que seriam longos sem a ajuda de um suporte químico.

A função dos antidepressivos é normalizar o fluxo de neurotransmissores, as moléculas que conduzem o impulso nervoso entre um neurônio e outro, e a maioria das doenças do sistema nervoso que produzem alguma alteração de humor têm como substrato químico um distúrbio desse fluxo. Portanto, fora desse diagnóstico eles são muito pouco recomendados.

Há muitos casos, por outro lado, em que os medicamentos são necessários. A depressão destaca-se pelo alto índice de casos registrados. Para se ter uma idéia, a doença atinge 6% da população mundial (7,5 milhões de pessoas só no Brasil), podendo levar ao suicídio nos casos mais graves e debilitar o sistema imunológico a ponto de permitir o aparecimento de doenças graves. Segundo a OMS, de 10% a 20% das pessoas vão sofrer de depressão em algum momento de suas vidas. Uma em quatro mulheres é atacada pela doença, que não pode ser confundida com uma tristeza profunda.

Na verdade, é difícil diagnosticar a depressão. Ela não tem sintomas claros. Genericamente, pode ser confundida com falta de autoconfiança, como dificuldade de concentração, com irritabilidade, em suma, com um estresse profundo. Como distinguir uma coisa da outra, já que estresse e depressão são coisas bem diferentes? A depressão é química, ou seja, provocada por um desequilíbrio ainda inexplicável dos neurotransmissores cerebrais.

As alterações, que afetam diretamente as emoções, podem também afetar a capacidade mental. Isso quer dizer que se torna mais fácil ter pensamentos negativos, e pode ser mais difícil concentrar-se ou tomar decisões.

Problemas físicos também podem ocorrer em pessoas deprimidas, decorrentes do desequilíbrio emocional. Algumas têm dificuldade para dormir ou acordam muito durante a noite. Outras querem dormir o tempo todo. A depressão também pode fazer com que alguém perca o apetite ou queira comer todo o tempo, especialmente doces.

Alguns perdem o interesse pelo sexo. Outros têm dores de estômago, dor de cabeça, suores, taquicardia ou outro sintoma físico. Todos são sintomas físicos, reais, provocados pela disfunção química do cérebro. Nesses casos, o medicamento é mais do que necessário para equilibrar o funcionamento do organismo.

Um dos maiores desafios dos laboratórios farmacêuticos na pesquisa e produção de medicamentos antidepressivos tem sido tentar minimizar seus efeitos colaterais. A primeira geração de medicamentos, os chamados tricíclicos, são ainda hoje drogas eficazes no controle da depressão, mas impõem ao paciente uma série de padecimentos: ganho de peso, tremores, tonturas, sonolência, disfunção sexual, queda de pressão e problemas cardíacos, entre outros.

O surgimento do Prozac, droga desenvolvida pelo laboratório americano Eli Lilly há cerca de dez anos, foi um verdadeiro divisor de águas. Seu princípio ativo, o cloridrato de fluoxetina, atua diretamente sobre a serotonina, inibindo seletivamente a sua recaptação. "A eficiência do Prozac, na verdade, não difere muito da dos medicamentos mais antigos, mas a grande diferença está na redução dos efeitos colaterais", afirma o psiquiatra Wagner Gattaz. Não foi à toa que o medicamento ficou conhecido como a pílula da felicidade.

Depois dessa importante descoberta, começou a surgir uma série de antidepressivos que inibem seletivamente a recaptação da serotonina e da noradrenalina, mantendo estabilizada a função dos neurotransmissores. Essa nova safra de medicamentos de última geração não só produz menos efeitos colaterais como pode ser administrada em uma dose única diária. Isso representa também uma maior adesão do paciente ao tratamento.

Os antidepressivos normalmente são recomendados para o tratamento de todos os níveis de depressão, seja ela leve, moderada ou grave, bipolar (que alterna momentos de profundo abatimento com outros de euforia), psicótica (manifestação de delírios e alucinações) ou sazonal (relacionada com a época do ano, normalmente no outono e no inverno).

Os efeitos da terapia começam a ser percebidos logo na primeira semana. O paciente consegue dormir melhor e o desconforto físico e as dores diminuem. Na segunda semana, ele já se sente mais animado e disposto. Dessa forma, lentamente vai voltando ao convívio social. "O medicamento é mantido por um período de pelo menos seis meses", diz o psiquiatra Wagner Gattaz. "É a fase em que há um risco maior de recaída. Passada essa etapa, reduz-se pouco a pouco a dosagem até a liberação total da pessoa."

Paralelamente ao tratamento com antidepressivos, é aconselhável que o paciente tenha também um acompanhamento psicológico. "Isso fará com que o paciente mergulhe em suas raízes e mude, entre outras coisas, seus paradigmas de relacionamento".

Recentemente na revista Mente cérebro há um artigo que diz sobre os 20 psiquiatras que elaboraram as diretrizes clínicas da Associação Americana de Psiquiatria (AAP) para o tratamento da depressão, esquizofrenia e transtorno bipolar, 18 têm vínculos financeiros com laboratórios farmacêuticos, revela estudo publicado na revista Psychotherapy and Psychosomatics.

Em 12 casos, essas ligações se enquadravam em pelo menos três categorias: consultoria, financiamento de pesquisa e palestrante convidado. Os dados são de bases públicas, como o PUBMED, e de registros de patentes.

Os autores da pesquisa denunciam que as orientações estão muito focadas em medicamentos e dão pouca importância a tratamentos não-farmacológicos, tais como: Tratamento fitoterápico, Psicoterapia e etc. Atualmente a AAP exige que os autores desses documentos – que costumam servir de base para as recomendações clínicas principalmente em países em desenvolvimento – declarem conflitos de interesse, mas essa regra não existia quando as diretrizes para depressão, esquizofrenia e transtorno bipolar foram publicadas, entre 2004 e 2005.

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínico

Referencia bibliográfica

Revista Mente cérebro, Ano XVI, Nº 197
Organização Mundial de Saúde (OMS)
Você e S.A

em 20/11/2009

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