Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Escolha - Olhar nos engana
Mas o olhar dele era mais forte. E houve um papo breve em que, com um ar superior absolutamente insuportável, ele lhe entregou seu livro de poemas...

Ele tinha qualquer coisa que a atraía muito, uma doçura no olhar, ou uma força, ela não sabia bem. Ele era colega de trabalho dela. Colega exatamente não trabalhava e se amava na mesma empresa, mas em departamentos diferentes. ?

Pouco se viam. Houve uns esboços de conversa em que ele muito discretamente arrastou a asa para ela. E uns olhares. Nada mais.

Curiosa, ela perguntou por ele a amigos comuns. Disseram que era um cara inteligente, poeta, que tivera certo destaque em política estudantil.

Foi quando bastou... A sua voizinha interna brandou logo um Deus me livre, imagine ela se meter com um cara meio fanático (primeiro rótulo), metido a intelectual (segundo rótulo), poeta frustrado (terceiro rótulo), jornalista menor (quarto rótulo), que ia querer declarar poemas chochos em volta de uma mesa em noites românticas, tudo com melodias de proselitismo ao fundo. Deus me livre! Dizia ela. Pode ter o olhar que tivesse aquilo não era homem para ela.

E depois de tê-lo coberto de rótulos, depois de ter visualizado qual seria o provável tipo de romance, gago o cara no esquecimento e evitou qualquer tipo de papo.

Mas o olhar dele era mais forte. E houve um papo breve em que, com um ar superior absolutamente insuportável, ele lhe entregou seu livro de poemas. Entregou e foi-se, partindo dias depois para uma longa estadia nos Estados Unidos.

Na hora ela nem se tocou com o livro. Uma noite encheu a banheira e se meteu nela e levou o livro consigo para dar uma olhadinha. A água acabou ficando fria, e ela lá dentro, encantada com os poemas desse homem. Não é que ele era mesmo poeta?

Hoje é o poeta mais importante do Brasil. Pelo menos pra ela, que se casou com ele e o ama tanto.

Aí está como um homem que não só ela não o considerava, mas o descartou propositalmente, era justamente aquele mais perfeito, que lhe faria muito feliz.

Quantos homens assim já passaram na sua vida sem que você tenha se dado conta? Você não pode saber, é claro, porque, não tendo sequer se aproximado, não deu chance a ele e a você de descobrir seu potencial.

Mas talvez mais de um tenha cruzado seu caminho e sumido. O processo de "descarte" não é só seu, como não foi só dessa mulher. A maioria das pessoas age assim. E age assim inconscientemente, trabalhada por preconceitos.

E desses preconceitos eu vou falar depois...

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínico

em 22/10/2013

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