Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Vamos falar de sexo
Alguns podem se excitar violentamente apenas pensando numa pessoa do sexo oposto, quando não do mesmo sexo...

Do sexo, o que queremos? Que seja bom, que nos dê prazer, que acrescente à nossa vida momentos cantantes, de sorrisos largos, de sentir algo que seja único e uma espraiada sensação de plenitude. 

Ou, pelo menos, é o que queríamos "antes". Porque agora, mal-entendendo a meta da revolução sexual, ou tangidos por uma exacerbação social, muitas mulheres acreditam ser obrigadas a querer do sexo um super-resultado, decorrente de um super desempenho. 

E o que seria um super desempenho? Sem entrar na cabine telefônica como Clark Kent, mas tirando a roupa para operar a metamorfose, qualquer simples mortal deveria tornar-se capaz de obter orgasmos múltiplos , bater recordes de frequência, superar as habilidades das gueixas, acrescentar novas e acrobáticas posições aquelas já elencadas pelo Kama Sutra, não restringir-se à monotonia monogâmica, nem prender-se a relações, considerar-se disposta a experimentar tudo além do já batido heterossexualismo.

Assim, acreditam, estariam provando a si mesmas e ao mundo sua adequação aos novos padrões de eficiência sexual.

Isso me fez lembrar da autora e "Psicanalista" Regina Navarro no seu livro Cama na Varanda.

Resta ver se os padrões são realmente esses, e se, sobretudo, são iguais para todos...

A verdade é que, explodindo a repressão que sufocava, e transformando o sexo numa das maiores preocupações da nossa era, acabamos estabelecendo padrões sexuais altíssimos, muito acima do que a maioria pode alcançar. E aos poucos criamos a ditadura desses padrões.

Um dos exemplos recentes é o do orgasmo múltiplos. Antes do relatório Kinsey e das experiências cientificamente acompanhadas e comprovadas pelos sexólogos Masters e Johnson em sua clinica, sequer sabia-se da sua existência.

Ou seja, algumas poucas felizardas sabiam, e alguns poucos acompanhantes desconfiavam, mas não era certamente assunto de salão de beleza.

Quem não tinha, portanto, nem sabia que não tinha, e dava-se por muito satisfeita com aquele único orgasmo que conseguisse obter.

Mas de repente o orgasmo múltiplo é comentado até nós velórios. E o numero de mulheres que os tem parece multiplicar-se como cogumelos. Já vi até um cartoon de duas garotinhas se defrontando, uma dizendo para a outra: "Minha mãe tem mais orgasmos múltiplos que a tua!" Ter orgasmos múltiplos virou proeza.

E quem não tinha, nem sentia falta, passou a considerar-se algo próxima da deficiência sexual, e a desprezar aquele mesmo orgasmo único que até então parecia lhe dar tanto prazer. E muitas começaram a mentir...

Mentir, inventando proezas sexuais costumava ser um hábito masculino. Pode-se apostar que 50% das vantagens ouvidas por homens são pura fantasia. Mas agora as mulheres também aderiram. Quando a gente ouve uma mulher gabar-se do número de orgasmos que consegue, tem o direito de desconfiar tanto quanto desconfiava dos homens.

O curioso é que essa tendência corre sérios riscos de se tornar niveladora, ignorando exatamente o sujeito e seus desejos. A mensagem mais clara sobre sexo é que existem tantos tipos de sexualidade quanto existem pessoas no mundo.

Alguns podem se excitar violentamente apenas pensando numa pessoa do sexo oposto, quando não do mesmo sexo. Outras têm enorme dificuldade em se excitar. E enquanto uns ficam nervosos e irritadiços se privados de sexo por um dia, outros vivem perfeitamente felizes sem sexo durante semanas, meses, ou até anos.

Medir a capacidade sexual individual, através de números de orgasmo de cada um, acaba se encontrando um leque de comportamentos praticamente infinitos.

Tentar nivelar diferenças tão grandes de necessidade pode ser muito prejudicial, é terrível incutir nas pessoas a idéia de que elas devem estar prontas e ansiosas para ter sexo a qualquer hora do dia e da noite, todos os dias da semana, e com qualquer parceiro que aparecer.

Há quem possa fazê-lo . Mas a maioria não pode. E isso está em grande parte determinado desde o nascimento: o complicado trabalho de hereditariedade nos fornece padrões individuais de capacidade sexual, de apetites e limitações. Existem, além disso, os fatores psicológicos.

Sim, os altos, altíssimos padrões sexuais acabaram ficando para muitas mulheres tão tirânicos quanto os antigos cintos de castidade. Agora, quando sexo tornou-se sinônimo de vida, o não sexo, ou o pouco sexo parecem identificar-se com a morte.

 

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínico

em 22/10/2013

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