Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Correr atrás do vento...
Pode ser maravilhoso, aparentemente perfeito, e ir mudando aos poucos, à medida que nós mesmos mudamos...

Viver todo amor como se infinito pode parecer ideologicamente bonito. Mas nem isso é. Porque equivaleria, em principio, a viver todos os amores como se fossem idênticos, cópia carbono um do outro. 

Não só, como equivaleria também a negar as experiências anteriores, o aprendizado amoroso todo, as justas desconfianças que a vivência nos dita. Viver o amor, mas perseguir um inútil sonho de perfeição.

Cada amor é um novo acontecimento. Pode ser circunstancial, preso a um conjunto de situações momentâneas que ao se desfazer o levará consigo. E ser assim mesmo ótimo.

Pode ser intenso, mas desencontrado, de um desencontro que aumenta com a convivência e com o tempo, colocando o fim como melhor solução.

Pode ser maravilhoso, aparentemente perfeito, e ir mudando aos poucos, à medida que nós mesmos mudamos. Pode, apesar de impetuoso, começar em bases erradas, e mais adiante pedir trégua.

Ou pode, desde o início, estar destinado a ter a duração de uma viagem ou de um período de férias.

Enfim, um amor pode ser maravilhoso, gratificante, apaixonado, sem precisar ser eterno.

E será mais intensamente aproveitado se reconhecido pelo que é, ou se, mais simplesmente, tirarmos de nossa cabeça essa terrível preocupação temporal.

Está certo, fomos todos criados na convicção de que um marido é fundamental, e por trás do romântico "amor eterno" visualizamos frequentemente o prosaico "marido garantido". Mas de que vale a garantia de um marido se nele já não está mais a sua felicidade?

Defender o casamento, ou mesmo a possibilidade de casamento, a qualquer preço é uma perigosa faca de dois gumes que geralmente se volta contra nós.

Pois não estamos mais defendendo o amor ou sequer a possibilidade de amor, mas usando-o como desculpa para escamotear nosso medo de enfrentar a vida com seus vãos de desconhecido e seus momentos de solidão.

Lutar para conservar um amor que existe e que está ameaçado é bonito e justo. Mas é preciso examinar bem esse amor, confirmar sua força e sua validade, para não quebrar lanças na defesa de um fantasma. Pois lutar para preservar apenas uma relação da qual o amor já desapareceu é um erro que não podemos de modo algum computar na conta do querer bem.

Assim como deixamos abertas as portas e disponíveis os sentidos para receber a chegada de um amor, devemos deixar livre a passagem para que serenamente se vá quando chegada a hora.

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínico

em 23/10/2013

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