Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Chorar não é vergonha e muito menos fraqueza...
Conheço pessoas que choram muito raramente, outras que tem lágrimas sempre disponíveis, sem que por isso se possa dizer que umas estejam certas ou erradas as outras...

"Pára de chora", diz a mãe para o filho. "Chora que alivia", diz o amigo do herói no momento dramático. "Você fica tão bonita quando chora!", diz o mocinho romântico à mocinha romântica da novela romantíssima. "Mulher vive chorando", diz o homem muito másculo que só chora escondido. Entre estímulos e repressões, o pranto ocupa nossa vida de tal modo, que esta foi chamada de "vale de lágrimas". 

Mas nos deixa bastante tempo livre para, entre uma fungada e um soluço, investigar que atividade é esta que só os seres humanos praticam, e perguntar em desconfiança por que as mulheres choram mais do que os homens.

A justa medida. Está aí um ponto difícil de estabelecer. Cada pessoa é de um jeito. Conheço pessoas que choram muito raramente, outras que tem lágrimas sempre disponíveis, sem que por isso se possa dizer que umas estejam certas ou erradas as outras.

A medida possivelmente certa seria a de nível pluviométrico médio, com precipitações maiores nas passagens borrascosas da vida, e secas eventuais nos momentos de calmaria.

A alteração deste quadro para longos períodos de seca, pode indicar um temperamento muito contido, uma perigosa repressão interna.

Não há falta de vontade de chorar ou falta de motivos para isso. Há a negação desses motivos e desse desejo, a incapacidade de assumir a própria fragilidade e de conviver normalmente com ela.

O choro é um consolo que a gente merece em tempos de stress. "As lágrimas são como bálsamo, confortantes, quentes, úmidas e macias".

Não é por simples coincidência que à composição química das lágrimas é quase idêntica à do fluído embrional no qual o feto se sente tão beatifico antes de nascer. Eu diria que ao chorar num momento de sofrimento profundo estamos procurando reencontrar a paz ideal do ventre materno.

Tanto assim que é comum a pessoa dobrar-se sobre si mesma, encolhendo a cabeça na proteção de braços e pernas, exatamente como se posiciona o bebê durante a gestação.

As lágrimas nos aliviam, porque funcionam exatamente como a válvula da panela de pressão. Acumulamos frustrações, agressões, aborrecimentos que vão de forma quase insensível pontuando nosso cotidiano. Reagimos pouco, engolimos muito. E a cada nova engolida vamos aumentando a pressão interna. Mas o nosso sistema emocional tem seus limites.

E um dia, quando o limite está sendo atingido e a pressão ameaça explodir com tudo, libertam-se salvadoras as lágrimas, ecoam os soluços evitando males maiores.

Reter as lágrimas principalmente as que se origina de uma situação frustrante, pode resultar numa série de males físicos. Chorar pode ser muito saudável como forma de ligação com as próprias emoções. Inúmeras vezes, as lágrimas que afloram nos revelam a intensidade de uma emoção que sem elas, correria o risco de passar despercebida e, portanto, desaproveitada.

Não se trata, é claro, de fazer aqui a posologia do pranto, indicando seu uso três vezes ao dia, depois de agitar bastante.

Mas é profilático lembrar que não há nada degradante no choro, nem ele representa um atestado de fraqueza. Pode, quando na justa medida, testemunhar apenas a nossa sensibilidade e a normalidade assumida das nossas emoções.

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínico

em 23/10/2013

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