Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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O Homem pode fingir orgasmo?
Muitas mulheres e alguns homens, desconhecendo o funcionamento do aparelho genital masculino, chegavam a acreditar que a ereção só cessaria após ocorrer à descarga espermática...

Que os homens tivessem orgasmo numa relação sexual sempre pareceu às mulheres e uma boa parte dos homens coisa natural e absolutamente simples. 

O problema, de forma notória, estava com elas, mais trituradas por preconceitos, mais afastadas daquele que seria em princípio um fluir normalmente biológico.

Para os homens, pensavam uma vez obtida a ereção, não havia mais qualquer dificuldade; a ejaculação ocorreria inevitavelmente. E mais, muitas mulheres e alguns homens, desconhecendo o funcionamento do aparelho genital masculino, chegavam a acreditar que a ereção só cessaria após ocorrer à descarga espermática.

Hoje, porém, esta redução está sendo desfeita. Os estudos de sexologia demonstram que existem diferenças fundamentais entre ereção, ejaculação, orgasmo e potência.

E as mulheres se deparam com uma nova realidade: os homens também fingem orgasmo.

A princípio parece pouco provável que uma mulher se deixe enganar num assunto tão importante, e aparentemente tão evidente. Toda uma longa mitologia desenvolvida pelos próprios homens as levaram a crer que o jato do esperma, laçado com força pelo macho no momento do orgasmo, é vivamente sentido pela mulher.

Todos nós já lemos em algum ou em muitos textos a respeito da "onda quente" que invade a mulher, da "lava quente" que nela se derrama. A realidade, porém, não é bem esta. A mulher não sabe se o homem ejaculou, ou não. Não há modo algum de saber.

A vagina não tem terminações nervosas. Sabemos que as paredes vaginais não tem estímulos suficientes para causar o orgasmo: razão pela qual a mulher necessita de estimulação clitoriana.

Portanto, as possibilidades de que a ejaculação seja percebida ao bater nas paredes da vagina são remotas. E embora algumas mulheres insistam em que sentem o fluído, eu continuo céptico.

Mas porque os homens fingiriam? Essa seria uma boa pergunta.

O motivo é evidente: ele quer se mostrar mais potente do que sua natureza e idade lhe permitem. Mas, como na maioria das motivações profundas, está escamoteado debaixo de uma justificativa elegante.

Perguntado, ele responderia certamente que está apenas, como bom cavalheiro, garantindo o máximo de prazer à sua mulher.

A necessidade de aparentar potência estaria na origem da maioria dos fingimentos, e poderia ser equiparada ao desejo de simular sensualidade, que faz com que a mulher finja em situação análoga.

Mas sabemos que em nossa sociedade falocêntrica a capacidade do homem dar prazer à mulher transformou-se em obrigação, confundindo progressivamente ereção, potência, ejaculação e orgasmo.

De certa forma, a necessidade de potência tornou-se ilimitada, estabelecendo para os homens metas difíceis de alcançar. Para muitos, não basta obter a ereção, penetrar a mulher, demorar-se algum tempo e alcançar o orgasmo; consideram que é necessário demonstrar potência através de vários atos sexuais seguidos, e alguns acham que é preciso fazê-lo sem mesmo retirar o membro da vagina.

Ter orgasmo a cada um desses atos passou a fazer parte da verdadeira maratona sexual que estabelece os altos padrões de virilidade, assim como oferecer (ou obter?) à mulher múltiplos orgasmos em cada ato.

É evidente que o estabelecimento de performance tão olímpicas só poderia conduzir ao fingimento, de parte a parte.

Por outro lado, o homem se vê frequentemente convocado, sem maior desejo específico, e considera também o atendimento a esta convocação como seu dever.

A falta de entusiasmo pela parceira pode levar a uma relação sexual precária, com decorrente ansiedade e dificuldade de obtenção de orgasmo.

A verdade porém é que, embora possam ser numerosas as motivações, a ausência de ejaculação não costuma ser um fenômeno comum. A pressão cultural sempre localizou o desempenho masculino na obtenção e manutenção da ereção, presumindo uma facilidade orgásmica, que, em condições normais, realmente existe.

Se fingimentos ocorrem, e se tornam possíveis, devem ser tributados sobretudo a falhas de entrosamento no casal, e ao desconhecimento que grande parte das mulheres e homens tem do aparelho genital masculino e do seu funcionamento.

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínico

em 23/10/2013

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