Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Idealização - Um mau que pode ser tratado...
O que muitas mulheres não sabem talvez seja que ele pode ter estudado música durante anos, é um excelente violinista e está ali no escritório só enquanto se firma em sua carreira artística...

Recebo vários e-mails sobre dificuldade de relacionamento, não quero dizer que seja certo ou errado só convidá-las a pensar sobre idéias fixas.

Existe, por exemplo, alguma razão concreta para que uma mulher alta deva evitar um homem baixinho? Os baixinhos são impossibilitados de fazê-las feliz? Não são bons companheiros de sexo? Não são divertidos, interessantes, boas companhias e mesmo bonitos? Os baixinhos têm algum defeito grave fora a falta de alguns centímetros de altura? E isso por acaso é defeito grave?

No entanto, muitas mulheres têm tendência a não considerar um baixinho, logo inventando que ele vai criar problemas, que vai ficar com complexo, que vai banir da vida delas os saltos altos.

Isto tudo antes mesmo de saber como ele se sente, como ele viveria com ela e, sobretudo, como ele é.

Você simplesmente descarta o baixinho porque a dupla homem baixinho/mulher alta já tem uma conotação clássica puxada a ridículo.

Mas e aquele colega de escritório que tenta convidá-la para almoçar um dia e você se esquiva pensando cruz-credo!, um jeca!, um suburbano, nem pensar em sair com um sujeito desses, basta olhar a roupa que ele usa, gosto mais chinfrim!

Pois é, já ouvi muitas histórias de coitados que usa a roupa chinfrim e tem jeito de jeca. O que muitas mulheres não sabem talvez seja que ele pode ter estudado música durante anos, é um excelente violinista e está ali no escritório só enquanto se firma em sua carreira artística.

Muitas não sabem que a roupa é chinfrim simplesmente porque ele não liga para roupa e tem seu interesse voltado para coisas bem mais importantes. Talvez elas não saibam que ele é um homem ótimo, que enriqueceria seu lado mais delicado, que daria um maravilhoso companheiro.

Muitas não sabem nada sobre eles, porque nem quis saber. E não quis saber porque a calça dele não era bem cortada, a camisa não combinava com nada. Você não gostou do figurino, e com ele jogou fora o excelente homem que embrulhava.

Um dos problemas que levam a isso é a idealização. Como clara em neve, a espuma da idealização vai crescendo ao seu redor desde a infância.

Começam vagas conversas de casamento cercando você menina. Pai e mãe sonham com um bom marido para a filha tão amada. A mãe começa a desenhar no futuro marido da filha aquele com quem gostaria de ser casado.

Se o marido é pobre, ela sonha com um genro rico, se o marido é casmurrento, ela sonha com um genro romântico, se o marido não sai da rotina, ela sonha com um genro aventureiro. Sonha em voz alta, bordando e rebordando no ouvido da filha, o marido esplêndido daquele que a levará para uma vida de venturas. E que através da filha preencherá todas as lacunas deixadas por seu próprio marido, pobre, casmurrento, rotineiro e, sobretudo real.

Ou pode a mãe, bem casada, enaltecer o pai, caso em que, ajudada pelos problemas freudianos tão nossos conhecidos, levará a filha a procurar aquele homem mais que perfeito, igualzinho ao pai, que tem um único defeito; não existe.

E não existe simplesmente porque a perfeição suprema é fruto da idealização da mãe, somada à idealização da filha, somada à todos os anseios reprimidos de uma e de outra, e geralmente subtraída à figura real do pobre pai.

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínico

em 23/10/2013

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