Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Abrir mão seja do que for sempre é difícil...
Uma opinião importante é um modo de ser e de viver. Nossos amigos, nosso grupo, nossos parentes estão acostumados com nossas opiniões. Significa muitas vezes ter que enfrentar o nosso grupo...

Abrir mão, seja do que for, sempre é difícil. E mais difícil fica no caso das opiniões, quando, frequentemente, sobre elas outras coisas foram construídas. Abrir mão de uma opinião raramente significa abrir mão apenas dela, mas sim dela e de outras que lhe são ligadas, e, em cadeia, de um determinado comportamento. Abrir mão de uma opinião é, em última análise, abrir mão de um pedaço de si. 

Se, por exemplo, consideramos que fazer um vídeo no Youtube onde as idéias que se tinha era protestar contra o ir à praia fazendo topless é uma indecência, ao mudarmos de opinião não estamos mudando somente em relação à parte de cima do biquíni, mas sim à exibição do corpo, ao direito sobre o corpo, à relação desse direito confrontado com as expectativas do nosso grupo social, e ao próprio conceito de decência. É uma mudança grande, bem maior do que parece à primeira vista, e nada mais natural do que hesitar diante dela.

Uma opinião importante é um modo de ser e de viver. Nossos amigos, nosso grupo, nossos parentes estão acostumados com nossas opiniões. Mudar uma opinião significa muitas vezes ter que enfrentar o nosso grupo.

E sabemos que o grupo tudo fará para nos manter como éramos, do jeito que já nos conheciam, nos aceitaram, do jeito que tornou possível nosso entrosamento. A mudança de um dos elementos do grupo é vivida pelo grupo como ameaça de desintegração, de modificação generalizada, e é consequentemente combatida.

Sabemos portanto que mudar de opinião nos exigirá trabalho, explicações, discussões. Uma luta, enfim, pequena ou grande, mas luta uma oposição às pessoas que mais queremos.

E numa luta, por menor que seja, temos sempre duas possibilidades: ganhá-la, ou perdê-la. Podemos, por causa de uma opinião, perder o afeto ou até a estima de pessoas a nós ligadas.

Podemos dialogar convencer, mas corremos sempre o risco de subitamente perder a aceitação do outro, e abrir distâncias insuperáveis.

O medo dessa possível perda está presente, ainda que nem sempre conscientizado, ao enfrentamos o processo de uma mudança de opinião.

É outro medo se engancha no nosso pé. O medo do desconhecido. Abro mão da idéia velha, meu confortável chinelo, em troca de uma idéia nova.

Não só terei que amaciá-la, e a mim com ela, mas terei que reorganizar minhas idéias todas, rever o resto. E certamente sairei mudado, ainda que um pouco apenas, ainda que parcialmente. Que eu mudado serei então? Não sei, não tenho como saber. E o não saber me assusta.

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínico 

em 23/10/2013

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