Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Às vezes não é preciso mentir, basta dar a entender
"Me sinto na obrigação de "ir" com o sujeito, só porque ele me pagou meu jantar e me convidou para sair...

Uma pessoa a qual conheci há muitos anos atrás nunca se declararam explicitamente um vulcão sexual, um símbolo de desejo dos homens e inveja das mulheres por querer ser igual. 

Mas dava a entender. E eu e várias pessoas achávamos, ou melhor, tínhamos certeza de que cada um de seus embates com qualquer dos numerosos rapazes que arrebanhava, era não apenas um sucesso absoluto, mas algo mais, uma espécie de inesquecível demonstração de sensualidade.

Pois estávamos enganados, conforme descobri um dia, em um momento de tristeza e desabafo ela me confessou que daquelas relações todas, só algumas eram coroadas de sucesso, e que a maioria não fazia mais do que preencher, temporariamente, sua carência.

Na verdade, o que essa moça acabou me confessando eram apenas um comportamento e um resultado normal.

Mas o curioso somos nós todos projetassem nela nossas fantasias de uma mulher super sensual, e que ela, com risinhos e trejeitos assumisse prazerosamente esse papel.

Ao que parece, a super mulher era necessária a nós todos, para corporificar um mito que povoa nossos dias, o da mulher irresistível, da eterna disponível, da mulher que só se considera feliz se puder, em cada dia, alinhavar uma fileira retumbante de orgasmos.

Na realidade a única vítima era ela, obrigada a fingir, a representar um papel que ao que tudo indica não lhe cabia, e a dividir-se entre o conhecimento da própria, mansa, sensualidade, e o fogo que os outros precisavam lhe atribuir.

O que estabelece esse comportamento? Basicamente, o direito de cada um reconhecer e atender, na medida do possível, os seus desejos sexuais.

Ficamos muito contentes ao ver que o pêndulo da moral se movia em direção a uma maior permissividade. Pensávamos; sobretudo nas mulheres, que sempre foram as maiores vitimas da regressão. Mas agora me preocupa ver que o pêndulo tenha ido longe.

Antigamente uma moça era obrigada a permanecer virgem até o casamento, quer ela quisesse, quer não.

Hoje acontece exatamente o oposto. Ela tem que deixar de ser virgem, mesmo que não queira. A nossa sociedade não está dando às pessoas uma liberdade sexual...

"Sou virgem”, me escreve uma leitora do facebook, e gostaria de ficar assim até o casamento. Sempre achei que ia guardar minha virgindade para o homem com que fosse me casar. Mas agora não tenho mais tanta certeza.

As minhas amigas debocham, riem de mim. E muitas vezes, para não me aborrecer, até escondo minha condição. Será que estou errada? Será que virgindade é doença, como elas dizem?"

E outra moça de 18 anos me conta: "Me sinto na obrigação de "ir" com o sujeito, só porque ele me pagou meu jantar e me convidou para sair. Acho que se eu disser não, ele vai ficar furioso, vai me chamar de interesseira, dizer que tá assim de mulheres que achariam ótimo. Eu fico com medo dele espalhar que eu não topo, e ninguém mais me procurar.

Há muita diferença entre a liberdade de usufruir do sexo, e a obrigação de fazê-lo. Chegamos a tal ponto que as pessoas se sentem obrigadas a demonstrar uma sexualidade constante, ou a fingi-la. A “nossa atmosfera sexual tornou-se muito nociva”.

É isso que está no ar. Uma espécie de radioatividade do sexo, de estimulo exacerbado. Sexo é in. Sexo vende qualquer produto. Sexo é o melhor tópico de conversação.

Estamos todos, bem e mal, contaminados. Mas podemos, em busca do prazer à nossa justa medida, empreender uma tarefa ecológico-sexual, saneando nossa atmosfera interna, e transformando as partículas nocivas em biodegradáveis.

 

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínico

em 23/10/2013

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