Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Procurando a felicidade...
Estamos todos à procura da felicidade. Mas como procurar uma coisa abstrata, sem rosto, que apenas intuímos? Mais fácil é dar corpo à intuição, e guiar-se por esse corpo...

Estava assistindo mais uma vez aquele maravilhoso filme "A procura da Felicidade" e pensando em uma frase que o Chris Gardner (Will Smith), fala com a sua ex-esposa sobre "vá procurar a felicidade". 

O American way. (Português: jeito ou estilo americano), também conhecido como American way of life (estilo americano de vida), é uma expressão referente a um suposto "estilo de vida" praticado pelos habitantes dos Estados Unidos da América.

É um exemplo de uma modalidade comportamento desenvolvida no século 18 e praticada até hoje.

Refere-se a um ethos nacionalista que se propõe aderir aos princípios de vida, a liberdade e a procura da felicidade (direitos não-alienáveis de todos americanos de acordo com a Declaração de Independência). Pode-se relacionar o American way com o American Dream

Estamos todos à procura da felicidade. Mas como procurar uma coisa abstrata, sem rosto, que apenas intuímos? Mais fácil é dar corpo à intuição, e guiar-se por esse corpo.

É aproximadamente obedecendo a este mecanismo que vemos, ou julgamos ver, a felicidade nos outros, com mais freqüência do que a vemos em nós mesmos.

Para “corporificar” a felicidade, para acreditar que ela existe, é mais conveniente que as pessoas nos sejam distantes, a fim de que possamos ignorar suas pequenas mesquinharias, seus defeitos, suas lamúrias.

Mas é imprescindível que nos forneçam dados capazes de sustentar toda a nossa arquitetura imaginativa. Nesse quadro, encaixam-se perfeitamente os astros de cinema e TV, os colunáveis, as celebridades que vivem a correr mundo, sempre na moda, sempre num turbilhão de comemorações.

São dourados, ricos, famosos, bafejados pela sorte, conseguiram sucesso e têm dinheiro, são, portanto candidatos eleitos ao título de felizes.

Troca-se de marido ou de mulher com excessiva constância, se bebem mais do que o normal, é sinal apenas de que sua vida fartíssima os leva sempre em busca de novas e excitantes experiências.

E se de vez em quando um deles corta os pulsos ou toma uma overdose excessiva de heroína, nos descobrimos surpresos com a revelação de que, afinal, não era tão feliz assim o tempo todo.

Mas feliz é também aquela amiga, até o momento em que nos confessa em pratos que sonha com outra vida. Feliz é a vizinha, até que apreendemos ter sido abandonada pelo marido que não suportava mais suas cenas de ciúme. Felizes são os outros, até que se prove o contrário.

No fundo, porém, precisamos tanto acreditar na sua felicidade quanto descobrir a infelicidade. Queremos que sejam felizes para permitir a tal “corporifícação”. Mas gostamos de descobrir que não o são, para nos sentirmos irmanados, para confirmar que não estamos sozinhos na busca não alcançada.

Neste jogo constante de duplicidade, os comentários e as fofocas, o falar de vida alheia, desempenham um papel importantíssimo, pois nos ajudam não só a tentar uma aproximação com a realidade, como elaborar nossas próprias ansiedades.

E, com o tempo, acabamos descobrindo que os outros não são mais felizes do que nós. São apenas reflexo dos sonhos de felicidade que projetamos sobre eles.

 

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínico

em 23/10/2013

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