Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
SOBRE O PSICANALISTA
apresentação
ATENDIMENTO
faça o seu agendamento
CONTATO
fale conosco
Sofrimento de amor...
O homem escolhe a via do amor sexual como tentativa de encontrar a felicidade, ele se torna dependente de parte do mundo externo de uma maneira bastante perigosa...

Freud enfatiza que quando o homem escolhe a via do amor sexual como tentativa de encontrar a felicidade, ele se torna dependente de parte do mundo externo de uma maneira bastante perigosa, pois, a dependência do objeto amoroso escolhido, pode causar-lhe um sofrimento extremo, caso seja rejeitado ou perca seu objeto seja pela infidelidade ou pela morte. 

Segundo Freud (1930) cada ser humano tem de descobrir por si mesmo qual o caminho a ser seguido em busca da felicidade. Isso é uma questão de quanta satisfação real ele deve esperar do mundo externo, de até onde pode ser levado a fim de tornar-se independente dele, e, por fim, da quantidade de força disponível para alterar o mundo e adaptá-lo a seus desejos.

Por mais que na hora da dor não temos nenhuma ideia pra que vale aquele momento, alguns estudos apresentam boas novidades referentes ao nosso consolo. O sofrimento tem suas vantagens...

Um bioquímico americano descobriu que as lágrimas de amor são importantíssimas. Como as de felicidade, a diferença das de irritação, são muito ricas em proteínas.

Segundo ele servem como o suor e a urina para eliminar toxinas do organismo, no caso, substâncias produzidas pelo estresse emocional.

O sofrimento não nos faz melhores por ser, em si, uma coisa ótima. No auge do sofrimento, somos tão cegos quanto no auge da felicidade. Mas ele nos melhora por que é lento de diluir, e nessa lentidão desbravamos trilhas que o bem-estar fazia parecer inúteis ou inexistentes.

Sofrer por amor nos obriga a pensar esse amor vezes sem fim. Viramos o amor de um lado, examinamos tudo, viramos do outro, tornamos a examinar. E viramos e reviramos na tentativa de ver todos os ângulos, na esperança de que desse exame nasça o entendimento. Pois sabemos que entender nos ajudará a sofrer menos.

Assim, o sofrimento nos obriga a um tipo de atenção diferente da do amor. Enquanto este só está interessado em procurar as qualidades que lhe servirão de reforço, aquele acredita procurar a verdade.

No ato prático é pouco provável que a encontre, porque está envolvido demais, sem possibilidade de distanciamento. Mas à medida que o próprio mecanismo de observação progride, e o tempo passa, o distanciamento se faz, e começamos realmente a enxergar melhor.

Por outro lado, um sofrimento bem aproveitado nos acrescenta sempre alguma sabedoria, que poderemos aplicar em amores futuros. Não convém contar com essa aplicação para evitar outros sofrimentos, mas pode-se ter certeza de que ajudará na interminável construção da felicidade.

Das vezes todas em que estive infeliz nunca consegui pensar “que bom, eis que como um sábio no seu eremitério eu me enriqueço nesse sofrimento”. Achei que era m inferno, uma maldição dos céus, uma injustiça. Cuspi sangue, cuspi marimbondos. E quis sair do sofrimento mais depressa possível. Qualquer outra atitude teria sido puro masoquismo.

Mas já tendo atravessado a pé vários desertos, olho para trás e vejo que de todas as travessias extraí coisas importantes. Voltam à minha memória aulas de geografia da infância, o Nilo subindo, inundando tudo, e retirando-se depois, deixando como herança a lama fertilizante.

A imagem é melosa, mas penso que sofrimento de amor, sofrimento bem grande, é assim mesmo, uma tremenda inundação que nos leva de roldão, quase nos afoga, depois nos deixa ainda por um bom tempo com as sequelas da inundação.

Mas que a final, quando o sol brilha, quase para nossa surpresa, ajuda no fortalecimento de novas brotações.

 

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínico

em 23/10/2013

Voltar

Principal / Pense comigo / Contato / Agenda online
www.ronaldodemattos.com - Todos os direitos reservados 2009 - 2013