Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Sexo - Liberdade ou repressão
Sua mãe, que você provavelmente nunca viu seminua, nem mesmo nos retratos familiares de banho de mar, lhe dá sérios conselhos sobre recato e sobriedade...

As influências sexuais exercidas pelos nossos pais foram vivências já rotuladas de todo um misto de medo, vergonha, repressão e desinformação e não encorajou a vivência sexual de forma natural e positiva e com isso a atividade sexual e afetiva mantém ainda características de algo sujo, pecaminoso e proibido.

Percebemos uma acentuada melhora nas relações do ser humano com seu próprio corpo, buscando entendê-lo e com isso permitir uma sexualidade saudável e uma construção de valores sexuais sem extremismo da liberdade irrestrita e nem a rigidez repressiva que levavam a descargas emocionais.

Você anda na rua e vê a moça seminua no enorme cartaz, vendendo amortecedores. Você entra no cinema e acompanha o incansável trabalho da jovem ativista sexual, seminua. Você está em uma tarde daquelas com muito calor e passa aquele carro com o som alto cantarolando uma musica cheia de batida e gemidos.

Você compra uma revista e lá está Papai Noel descendo uma chaminé ou mesmo em uma BMW, trazendo, com laço para presente, a mocinha seminua. Você vai à festinha, e as conversas giram ao redor de sexo, de como uns e outros, nus e seminus, desenvolvem sua performa-se no atletismo sexual. Você ouve falar em sexo, sexo, sexo.

E no fim do dia volta para casa.

Sua mãe, que você provavelmente nunca viu seminua, nem mesmo nos retratos familiares de banho de mar, lhe dá sérios conselhos sobre recato e sobriedade. Sua irmã noiva namora no portão, concessão máxima após o pedido. Seu pai, tão bonzinho no dia a dia, vira fera somente de pensar que a filha dele, algum dia...

E você no meio. A liberação de um lado, a restrição do outro. O estimulo ao sexo martelando, a restrição ao sexo segurando. Você no meio, dividida, cheia de duvidas, sofrendo, e se perguntando onde a verdade, onde a razão, onde o bem do espírito onde a alegria do corpo.

Mas como é essa liberdade? É restrita e total? É parcial? E como vive um ser tão liberto em meio às obrigações até de ordem prática que a vida nos impõe?

Ela não é restrita, como tantas pessoas querem fazer crer. Ela não é total, como muitos apregoam. Ela está na medida de cada um, contida pelas limitações individuais, de meio, de nível social, de país, de cidade, e até mesmo de bairro.

Ela é na verdade tão flutuante e variada, tão sem fronteira e sem contornos, que é difícil até mesmo dizer é essa.

A moça cujos pontos de vista em relação a sexo causariam escândalo em algumas cidades grandes brasileiras seria provavelmente considerada puritana em outro país. Da mesma forma a jovem puritana nova-iorquina seria tida como avançadíssima em muitos lares de muitas cidades brasileiras.

A toda hora vemos que a moral vigente em bairros tidos como mais avançados, difere bastante de outros bairros da mesma cidade. O que equivale a dizer que o próprio nível de liberação tende a ser diferente.

A educação familiar e a formação religiosa são outros dois fatores determinantes. A moça de formação religiosa rígida pode considerar-se liberada, embora atendo-se aos preconceitos da sua igreja, porque dentro deles age livremente, sem culpas, enquanto fora deles o mundo lhe parece inconcebível.

Já outra moça, com a mesma formação, ao entrar em conflito com sua fé, pode necessitar de horizontes maiores, de rupturas mais radicais com tudo aquilo que lhe foi ensinado.

A liberação na verdade têm tantas e tal nuance que ao ouvirmos alguém dizer: fulana é uma mulher liberada, devemos, antes de qualquer coisa, desconfiar. Não da pessoa em questão, da “mulher liberada”, mas de quem lhe está pondo esse rótulo. Porque os rótulos são fáceis de pôr, mas corre frequentemente o risco de ser levianos.

Qualquer um pode dar-se a liberdade. Mas, se não há liberdade interna, chegará à hora da volta à prisão.

Desconfie, portanto, dos liberados sem felicidade. Dos liberados agitados, tensos, nervosos, sempre em busca de novas afirmações libertatórias. A liberação verdadeira é equilíbrio, é serenidade, e transmite sua paz facilmente.

A moça seminua que vende amortecedores liga a imagem de molejo mecânico ao do molejo sexual; está erotizando a máquina. A jovem seminua trazida com laço e tudo por Papai Noel ligam a idéia de presente à idéia de dar-se; está erotizando a compra natalina. E assim por diante. Sexo, dinheiro, carros, poder, potência, posse, tudo se confunde. E você é martelada, junto com cada mensagem destinada a fazê-la comprar mais e mais, com precisas mensagens eróticas.

Do outro lado, porém, fica a realidade do seu dia a dia, a sua família muitas vezes conservadora, as pessoas do seu bairro, da sua vizinhança.

O normal é que você se sinta dividida. Uma divisão cuja tendência é em direção ao avanço, à renovação.

Avance então, vá em frente. Ser livre é voar, mas lembre-se que também os pássaros demoram a fortalecer as asas.

 

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínico

em 03/11/2013

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