Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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O que se passa num casamento durante esse tempo?
Por enquanto o casal tem em comum um objetivo importante: lutar pela sobrevivência do filho, superando a primeira infância, e trabalhar para garantir melhores condições de vida.

Todos são interpelados em algum momento sobre o que acontece dentro do relacionamento que vinha em um crescimento dinâmico e cheio de felicidade, de repente um número toma forma na mente de todos. 

O numero sete é místico e recorrente. Eu reencontro numa teoria de Levinson, segundo a qual o desenvolvimento de um casal se realiza através de etapas de aproximadamente sete anos cada.

Seriam períodos ao longo dos quais o casal luta para alcançar objetivos específicos. Ao cabo de cada etapa, e obtido o que se queria, parte-se para nova meta, e nova etapa.

Faz sentido com nossos cinco anos. O que se passa num casamento durante esse tempo? Primeiro um período de deslumbramento com nova condição, o usufruir da grande vitória.

O que o amor queria foi conseguido, os dois estão juntos. Segue-se um período geralmente difícil de adaptação. Adaptação de um ao outro, e dos dois à nova situação e às novas responsabilidades. E é exatamente quando se está conseguindo o ajustamento, que chega o primeiro filho.

Com ele os pais cortam definitivamente os últimos laços que ainda os prendiam à infância. Deixam de serem eles próprios filhos e tornam-se pais. A maturidade começa a se instaurar.

Também com o próprio filho um novo desajuste costuma aparecer: o desencontro sexual dos pais. Frequentemente, o pai luta entre o amor pelo bebê e a realidade com aquele recém-chegando que parece absorver toda a atenção e o carinho da mãe.

Por outro lado a mãe, ocupada pelo filho, invadida emocionalmente pela maternidade, sente-se “esfriada” sexualmente. A um aumento de demanda dele corresponde uma diminuição de resposta dela. O momento é difícil.

Mas não é esse o ponto da crise (embora possa ser o começo de um processo). Por enquanto o casal tem em comum um objetivo importante: lutar pela sobrevivência do filho, superando a primeira infância, e trabalhar para garantir a este, e aos próximos, melhores condições de vida.

Antes que este projeto se esgote, o mais comum é que outro filho venha modificar a cena familiar, levando à repetição de modelos e à renovação do projeto.

Se por um lado o pai não se esforçará tanto sexualmente, e a mãe não se preocupará tanto com os problemas da primeira infância, ambos continuarão unidos pelo crescimento da família.

A tensão desse projeto se afrouxa exatamente por volta dos cinco anos. O cotidiano está organizado. E monótono. É nesse ponto que, se nenhum outro projeto sobrevier, o casal acreditará ter perdido o amor.

Muitas me escrevem mais calçadas em problemas de sexo do que no amor em si. Muitas escrevem: “Amo meu marido, e sou feliz com ele, mas nossa vida sexual não é boa”.

Acredito que elas amem o marido, quanto a serem realmente felizes com ele, é pouco provável, porque, como já vimos, a insatisfação sexual é alastrante.

Felicidade pode aí significar “tenho tudo de bom e do melhor, meu marido me trata bem, é um bom pai, nossa vida está dentro dos padrões que eu desejava”, ou seja, pode estar sendo usada como sinônimo de bem-estar.

No sexo, porém, os sinônimos são mais difíceis. A ausência de desejo, a pouca freqüência das relações e a rotina na execução são inequívocas.

É comum escamotear o problema atribuindo o desaquecimento erótico à idade. Nada comprova essa teoria. É por volta dos 30 anos, quando a sexualidade do individuo está vigorosa, que se manifesta a grande maioria das crises conjugais.

O que existe é uma grande incidência de problemas sexuais entre os jovens adultos, que nada tem a ver com a diminuição fisiológica da potência devido à idade.

Segundo uma pesquisa inglesa, 25% deles têm problemas sexuais de ordem variada, e 40% dos casais que procuram terapia estão entre os 27 e os 40 anos.

Analisando esses dados vemos que a juventude não é o mar de rosas sexual que muitos fantasiam. O jovem casal que se casa e porventura tem desajustes sexuais pensa poder corrigi-los com o tempo e com o maior entrosamento.

Mas é justamente quando esse entrosamento começa talvez a se esboçar, que a chegada do primeiro filho vem abalar seu rumo. Se a chegada de um bebê é difícil para os que já se entendem, que dirá para os que ainda não haviam chegando lá.

O período dos cinco anos, ou quase, decorre assim sem que o casal tenha chegado à sua plenitude. Mas enquanto no inicio a força da paixão os levava a constantemente experimentar, e mais adiante a intensidade do projeto comum sublimou (ainda que parcialmente) os impulsos eróticos, agora a simples rotina matrimonial parece insuficiente. Não é à toa que a idade em que mais se procura terapia coincide com a idade da crise.

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínico

em 07/11/2013

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