Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Sogra, manipulação e luta
Sou casada há três anos com um homem maravilhoso. Mas sofro por causa da mãe dele, que é dominadora e não nos deixa em paz.

Sou casada há três anos com um homem maravilhoso. Mas sofro por causa da mãe dele, que é dominadora e não nos deixa em paz.

Quando o conheci, ele era o faz tudo na casa da mãe. Apesar de ter outros irmãos, era ele quem pagava as contas, dava presentes caríssimos, fazia as vontades dela.

Ela é do tipo de pessoa calma e risonha que vai se impondo lentamente sem que os outros percebam.

Meu marido a adora e por causa disso, ela continua querendo explorá-lo até hoje, coisa que não faz com os outros filhos.

Aos poucos fui cortando muita coisa, os presentes exorbitantes, as viagens, os telefonemas semanais. Mas, apesar de tudo, ela ainda me incomoda, querendo mandar na minha casa.

Nosso relacionamento é à base da guerra fria. Aparentemente nos damos muito bem. Mas quando ela avança no meu território eu me defendo. E quem acaba sofrendo com isso é o filho.

 

Resposta

 

Minha linda, você fala da sogra como se ela, e só ela fosse o problema. Será que é isso mesmo?

Quando você conheceu seu marido, ele já era o queridinho da mamãe, e retribuía esse afeto especial cumulado-a de atenções e pagando as contas, como faria um filho único ou até mesmo um amante.

Eles tinham entre si uma relação especial, diferente da que ela mantinha com os outros filhos. E uma relação especial nunca se estabelece de forma unilateral; é preciso que os dois estejam de acordo, cada um desempenhando sua parte. Seu marido, portanto, não só concordava com a possessividade da mãe, como alimentava.

Imagino que você tenha percebido isso de imediato. E suponho que tenha se dado conta de que, ao “comprar” o marido, viria junto o contrapeso da sogra.

Mas, como toda noiva apaixonada, certamente fez charme para a mãe todo-poderosa, mantendo bem escondidas as garras que afiava para o futuro.

É neste ponto que começa o problema. Em casos como esses a noiva não ataca a sogra frontalmente antes do casamento. Teme espantar o noivo. Teme que a influência dela seja forte demais.

Em vez disso, representa o papel de moça dócil, adiando do casamento um bom trabalho para depois. Conta com distância que forçosamente se estabelecerá, com os carinhos das longas noites, com a vinda dos filhos, para, aos poucos, neutralizar o amor do marido pela mãe, substituindo-o por seu próprio amor.

É questão de tempo, que percebendo as artimanhas separatistas da nora, a sogra comece ela também a trabalhar junto ao filho, para “abrir-lhe” os olhos a respeito da falsa docilidade da esposa.

Assim está armada a guerra. E ficará o marido dividido entre dois amores, a mãe puxando de um lado, a mulher puxando de outro, objeto de uma disputa decidida desde o primeiro instante, sem que a ele ninguém tivesse perguntado nada.

Se você tivesse lhe perguntado antes, o mais provável é que ele lhe dissesse que, ao casar, não pretendia fazer uma escolha, mas apenas acrescentar um novo amor à sua vida.

Um amor que, embora intenso, encontraria espaço sem ter que desalojar o outro que lá já se encontrava. Para ele isso parecia perfeitamente possível.

E para a mãe dele também. Não porque estivesse disposta a ceder qualquer partícula do afeto do filho, mas porque, onipotente, não podia acreditar que alguém tão dócil quanto você se apresentava.

Houve, portanto um logro do qual você não se dá conta. Ao lograr sua sogra fingindo que se deixaria manipular, você logrou também seu marido, que acreditou estar navegando para um mar de felicidade.

Era a isso que eu me referia quando disse que o problema não é só sua sogra. Pois o problema, na verdade, é a relação do seu marido com ela, que já existia solidamente estabelecida, quando você entrou no cenário.

Você diz que a guerra é fria, que aparentemente vocês duas se dão bem. Na certa, são aparências frágeis, porque esse tipo de guerra nunca é fria. Ela envolve as emoções mais quentes, e que qualquer gesto provoca labaredas. Pode-se até dizer que, a partir de certo ponto, ele, o homem ponto da discórdia, passa para segundo plano.

Na briga entre sogra e nora outras coisas estão em jogo. Há uma disputa de poder, e uma avaliação das armas. Há também a velha luta da !troca da guarda”.

A sogra sofre sua velhice ao deparar com os encantos jovens da nora. Sabe que esta conta com a poderosa arma da sedução sexual para tomar-lhe o filho.

Em compensação ela é dona de um passado para sempre estranhado no inconsciente dele, tão forte que cama nenhuma pode apagá-lo. A nora lança mão dos filhos para prender o homem pela paternidade.

A sogra recorre à fragilidade da velhice para operar ua chantagem. A nora acena com os prazeres presentes e futuros. A sogra atira ao ar a frase fatal: “Depois de tudo o que eu fiz por você!”

E enquanto as duas se vitimizam, chorando nos seus ombros, o homem sofre.

Seria mais simples partilhá-lo, como faz a maioria, de sogras e noras. Mas parece difícil quando, a uma mãe dominadora que quer o filho todo para si, se opõe uma esposa igualmente dominadora que não quer partilhar seu marido com ninguém.

Essas são minhas impressões, eu diria que você precisava conversar com um terapeuta sobre suas dores e sentimentos, falar um pouco da sua dor e como você está vivenciando esse momento. Assim você poderá fazer uma auto-análise.

Você poderia ter evitado isso tudo de início, ou escolhendo um homem menos ligado à mãe, ou dispondo-se a aceitar o transbordante amor filial deste. Agora, o único meio de acertar as coisas seria selar um acordo de paz com a sogra. Mas será que você quer? Um abraço.

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínico

em 13/11/2013

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