Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Sexo com Prazer
Penso que vários componentes participaram dessa construção moral que privilegia as dores e deprecia os prazeres...

A questão do prazer deve ser entendida também pelo ângulo mais geral, no qual também são afetados os homens. Nossa cultura não é simpática e nem aberta à idéia do prazer, que sempre está associado a conceitos moralmente duvidosos, como futilidade ócio, egoísmo etc.
Crescemos cercados da noção de que o prazer não é uma virtude e sim um vicio. As virtudes estão do outro lado do meio – termo: são elas o sacrifício, a generosidade etc.?
Penso que vários componentes participaram dessa construção moral que privilegia as dores e deprecia os prazeres. O primeiro deles está ligado ao que é mais difícil: a busca do prazer é a resposta natural de qualquer criança, ao passo que abrir mão dele implica um processo mais sofisticado e que leva tempo para ser atingido. Depois, existe uma luta permanente dos homens no sentido de ser mais do que um simples animal: o homem é o único capaz de abrir mão de um direito seu em favor de uma outra pessoa, o que faz da generosidade uma aquisição muito especial. Mais que depressa, a vaidade participa desse processo, de modo que a pessoa se sente superior e poderosa ao ser capaz de renunciar.
Surge um novo prazer: a renuncia aos prazeres determina o prazer da renuncia. Dessa forma, as pessoas que perseguem o prazer acabam por ser vistas como fúteis e sem nenhum tipo de aprimoramento moral.
Isso, mesmo que o façam respeitando os plenos direitos das outras pessoas. Sim, porque seria muito razoável pensarmos que à questão moral só deveria estar relacionada com situações interpessoais em que uma delas poderia prejudicar desnecessariamente uma outra pessoa. Nossa cultura interfere também naqueles aspectos íntimos como é o caso da nossa sexualidade.
O sexo foi, por longo tempo, particularmente censurado ao se exercer de modo solitário, na masturbação. E óbvia a interferência de princípios reguladores desnecessários em nossa vida íntima. A final de contas, é difícil imaginar algo mais inofensivo do que a masturbação acompanhada de qualquer tipo de fantasia erótica. Seria diferente se se houve uma compulsão em relação à masturbação tendo o sujeito gerado uma dependência física e mental desta pratica. Aliás, as simples fantasias já não são bem vistas.
Sabemos que nossa concepção a respeito do assunto vem mudando nas últimas três décadas. Porém, ainda são fortes as influências dessa mentalidade que se opõe ao prazer.
A oposição aos prazeres sexuais, em particular, é a mais dramática e terrível de todas. Estou me referindo justamente à busca desse prazer sem nenhuma finalidade: não como prova de amor, nem com o objetivo de dar satisfação ao parceiro. O maior crime é exatamente o de gostar do sexo.
O sexo, segundo essa visão moralista tradicional, seria menos pecaminoso se estivesse a serviço de alguma finalidade. Como puro prazer sempre foi visto como vulgar, especialmente quando é exercido por mulheres.
Talvez possamos agora refletir, mais profundamente sobre a importância que o “ficar”, criado pelos nossos adolescentes, tem.
Eles estão nos ensinando que é possível a troca de caricias erótica apenas pelo prazer mesmo depois do surgimento da sexualidade adulta. Gostar do sexo pelo sexo está ou deveria está, deixando de ser pecado.
Pena que outros fatores perturbem especialmente nas moças esse processo libertário que é o “ficar’.
Esta abordagem tem por finalidade uma reflexão sobre a sexualidade e Igreja uma  relação confronto e animosidade. Este texto e outros mais abordaram este tema...

Na sessão multimídia estarei fazendo uma resenha sobre o livro “Eunucos pelo reino de Deus” da autora: Uta Ranke – Uma abordagem sobre a sexualidade e a Igreja – Uma leitura Psicanalítica.


Ronaldo de Mattos – Psicanalista Clínico

em 30/11/2009

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