Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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O amor obedece a ciclos culturais e históricos
O sentimento amoroso tem como tudo o que é humano, sua evolução e sua história, que se assemelham sobremodo à evolução e à história de uma arte...

Todos nós fomos criados dentro de uma cultura e fomos envolvidos por ela no mais profundo da nossa essência. Com isso nossa forma de observar e interpretar o que vivemos sempre sobre a interferência da interpretação de vários Outros (família, sociedade etc.) que ajudaram em nossa formação.

O amor, é bem mais do que apenas um jogo de espelhos. O amor, ou melhor, o conceito de amor, obedece a ciclos culturais, históricos. È aquilo que o filosofo José Ortega Y. Gasset, em seu livro Estudos Sobre El Amor, definiu como modas do amor.

A vida humana é, em sua própria essência e em suas irradiações, criadora de modas, ou dito de outra forma, é essencialmente “modificação”...

O sentimento amoroso tem como tudo o que é humano, sua evolução e sua história, que se assemelham sobremodo à evolução e à história de uma arte. Nela se sucedem os estilos.

Cada época possui seu estilo de amar. A rigor, cada geração modifica sempre, em maior ou menor grau, o regime erótico da anterior.

Assim, no fluxo de suas “modas”, o amor foi eterníssimo na Idade Media, ao tempo do Amor Cortês, quando os menestréis e as damas viviam paixões platônicas com o consentimento dos maridos.

Era o tempo em que toda a cultura se voltava para o espiritual, deixando o físico de lado. Sem sexo, sem contatos, sem muitos encontros, o amor ardia em chamas puramente mentais aspirando à eternidade. (A qual, sem os desgastes e atritos da convivência, era até mais possível.)

Fim da Idade Media, início da Renascença, lá se vai a sede de eternidade para o canto, enquanto a fome da carne toma o primeiro plano. Descobriam-se as curvas do barroco, desejavam-se as curvas da anatomia, e o importante era o aqui e agora.

Importância que teria talvez chegado até nós intacta se não houvesse se intrometido o Romantismo. Para os românticos a mulher amada é novamente distante, e só há duas possibilidades para o amor: ou acaba em casamento (leia-se felicidade eterna), ou em morte.

Hoje a nossa moda, a nossa descoberta, é o efêmero, a transitoriedade de todas as coisas. Fazemos roupa de papel para ser usada e jogada fora, substituímos filosofias no ritmo acelerado da comunicação de massa, compramos eletrodomésticos e carros com “obsolescência planejada”, já feita para durar pouco e obrigar à reposição.

E no amor? No amor também descobrimos o efêmero, mas continuamos presos ao eterno.

O amor não é mais obrigatoriamente eterno. Não é preciso amar um só por toda a vida. A sociedade permite, e em certos casos até estimula, que se ame mais de um, que se tenham experiências.

E muitos jovens já vivem o amor pelo que possa ser sem maiores preocupações com sua durabilidade, certos de que, como tudo mais, ele também é descartável após o uso. Mas a maioria, à grande maioria ainda se debruça sobre o espelho do amor preocupado, sobretudo em não quebrá-lo.

Lutar para conservar um amor que existe e que está ameaçado é bonito e justo. Mas é preciso examinar bem esse amor, confirmar sua força e sua validade, para não quebrar lanças na defesa de um fantasma.

Pois lutar para conservar apenas uma relação da qual o amor já desapareceu é um erro que não podemos de modo algum computar na conta do querer bem.

Assim como deixamos abertas as portas e disponíveis os sentidos para receber a chegada de um amor, devemos deixar livre a passagem para que serenamente se vá quando chegada a hora.

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínico

 

em 17/11/2013

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