Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Toda mudança causa conflito
Que essa conversa sirva para o entendimento, mas não nos assuste. São vários medos, mas enfeixados em um só, e não tão forte a ponto de impedir que as opiniões mudem, constantemente...

Que essa conversa sirva para o entendimento, mas não nos assuste. São vários medos, mas enfeixados em um só, e não tão forte a ponto de impedir que as opiniões mudem, constantemente.

Se hoje penso de um jeito a respeito de determinada coisa, e amanhã decido mudar, será necessário reconhecer que meu pensamento estava errado, ou que, pelo menos, tornou-se errado em determinado momento. Será preciso reconhecer meu próprio erro. E quantos gostam disso?

Toda mudança causa conflito. Até a idéia de vender o carro usado e comprar um novo nos transtorna. E isto porque toda mudança implica em avaliação, julgamento.

Se for trocar meu carro, preciso saber se o antigo era bom, e, sendo bom, se era melhor do as marcas todas que a publicidade tenta me impingir, se houve alterações no mercado, e quais as minhas possibilidades aquisitivas.

Enfim, preciso analisar vários dados, e confrontá-los. Um processo idêntico ocorre em relação às opiniões.

Para trocar uma opinião por outra, preciso confrontar as duas, julgar sua validade, decidir qual me parece melhor. Esse julgamento, essa decisão ao salto, assusta.

Tivemos medo, e quanto! Quando Galileu apareceu afirmando que a Terra não só era fixa, como girava em torno do Sol. Afinal, Ptolomeu nos havia convencido do contrário, e a teoria dele era mais bonita, nos conferia mais importância, com o Sol girando ao nosso redor servilmente.

Galileu foi processado, ameaçado de morte. Mas aos poucos acabamos mudando de opinião a acatando sua frase murmurada “Eppur si muove!” (E, no entanto se mexe!). Hoje, até o Vaticano revê seu processo.

O Novo Testamento mudou opiniões formadas pelo Velho. E, não fosse à onisciência, até Deus teria mudado sua opinião em relação a Adão e a Eva depois do fato da maçã. Enfim, a nossa História é a história das nossas mudanças de opiniões.

“Quem pretende uma felicidade e uma sabedoria constantes, deveria acomodar-se a frequentes mudanças” dizia Confúcio. O problema é que às vezes, embora pretendendo a felicidade, não queremos nos adaptar.

Duvido, por exemplo, que o próprio Confúcio, machista convicto que definia a mulher como “um homem inferior” e que estabeleceu um violento esquema de dominação da mulher na China, conseguisse aceitar colocações mais feministas, as mesmas que hoje estão criando uma modificação radical de comportamento.

Esquecidas das enormes mudanças de que fazemos parte, relutamos às vezes em mudar uma nossa pequena opinião. Mas por que estaríamos condenados à prisão de idéias gradeadas, se tudo ao redor anda?

Mudar nossa opinião em relação à conduta sexual, por exemplo, é uma mudança individual. Mas é também parte da grande mudança coletiva que a sociedade ocidental vem nas últimas décadas formulando e que já chamamos Revolução Sexual.

E o mesmo acontece quando repensamos nossa relação com as minorias, ou quando simplesmente decidimos parar de comer aqueles mesmos enlatados que tanto nos seduziram.

Mudamos individualmente, e individualmente corremos os riscos de mudanças, mas nosso comportamento e nossa nova escolha se inserem no conjunto mais amplo.

Precursoras, podemos viver nossa mudança em solidão, precisando de mais energia para derrubar a reação ainda compacta contra nosso gesto. Ou, mais prudentes, chegamos à mudança quando um maior número de evidências se acumula e já encontramos vozes em que nos apoiar. Tempo e momento, cada um faz o seu. Importante é a convicção.

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínico

em 24/11/2013

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