Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Encontro de duas pessoas
As mulheres podem se sentir-se atraídas por um homem até mesmo sem tê-lo ouvido falar. E não são poucos os casos de amor que começaram por correspondência...

Em um encontro de duas pessoas que se tornaram amantes é pouco provável que um clarão rasgue o ar, que os clarins toquem na cabeça dos eleitos, ou que qualquer outro sinal celeste lhes dê a certeza de que finalmente ali está o ser gêmeo tão esperado.

O que costuma acontecer é bem mais terreno, e prático. Alertados por uma atração que de imediato não saberíamos sequer justificar, começamos a rodear a pessoa que nos atrai.

O que levou a preferir aquele a tantos outros? Uma soma muito complexa de fatores. As mulheres podem se sentir-se atraídas por um homem até mesmo sem tê-lo ouvido falar. E não são poucos os casos de amor que começaram por correspondência, nos dias atuais perfis que podem ser ou não a característica da pessoa.

Isso poderia nos conduzir à conclusão errada de que o pensamento não é fundamental, ou de que o físico supérfluo. O que acontece é que para cada pessoa existe uma diferente chave de atração, espécie de centelha que desencadeia o processo.

A inteligência pode ser fator preponderante para uma mulher, enquanto outra se sente atraída pelo dinamismo, outra se liga no senso de humor, e outra ainda, só se interessa pelo físico.

A chave funciona como um tiro do juiz em uma competição. Mas a partir daí, outros fatores entram em campo completando um vasto quadro de exigências. E justamente a partir daí, deveria entrar em campo também a primeira, grande dose de atenção.

Atenção para verificar se a primeira impressão estava certa, e se aquele é, realmente, a pessoa cujo arcabouço principal interessa. Atenção e sinceridade para não forçar um julgamento, para não fazê-lo servir meio à força, apenas porque está tanto querendo que sirva.

Atenção, carinhosa, para aqueles elementos todos que aos poucos se revelam e que, mesmo parecendo às vezes desimportantes para as mulheres, não são para os homens, e constituem um conjunto da sua personalidade.

Atenção para ver se algum elemento imprevisto não se torna de repente mais importante que o dote positivo inicial. Por exemplo: ele é inteligente... Mas egoísta demais; ou, ele é lindíssimo... Mas a única mulher que considera realmente maravilhosa é a própria mãe; ou, ele tem um raro senso de humor... Pena que use sempre contra os outros.

Apesar da chave de atração ter funcionado, podemos às vezes encontrar além da porta, algo que não interessa.

Atenção também para não prestar atenção demais. Correríamos o risco de transformar os primeiros embates num inquérito policial, perdendo o melhor da fase do encontro, que são o encantamento, a surpresa, a esperança meio cega do acerto.

Existe algo mais complementar que os dois sexos? Parece improvável. Entretanto, esta complementaridade que deveria ser a base da harmonia do casal foi transformada, por nossa estrutura social, em antagonismo.

Divididos os papéis sexuais de forma tão injusta, rompeu-se a unidade. Coube à mulher ser passiva e submissa, enquanto o homem a dominava através de uma posse que facilmente se transforma em violência.

Estabelecendo de antemão o que cada um haveria de sentir, e não havendo lugar algum para a mulher depositar sua agressividade natural, ela acabou lançando-a no amor.

É lá que vamos encontrá-la tão frequentemente, voltada para o amado sob o disfarce da possessão, do ciúme, do “domínio amoroso”, ou voltada contra si mesma, no quadro clássico da amante sofredora, doce Amélia que tudo suporta, fustigando-se com a própria paixão.

Por outro lado, os homens, obrigados a reforçar o papel biológico em que penetram na integridade física da mulher, e a engravidam com seu esperma, passaram a penetrar também na sua integridade mental e a impor-lhe a procriação das suas idéias.

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínicos

em 01/12/2013

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