Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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A cabeça dos homens e a independência das mulheres
Sim, a mulher independente causa medo no homem que não está seguro de si mesmo. Ela pode a qualquer momento escolher ir ou ficar, pois não está presa a ele economicamente.

“A cabeça dele não dava pra aguentar mulher cantora” disse uma paciente em uma sessão de terapia. 

A cabeça de grande parte dos homens brasileiros ainda não dá para aguentar mulher independente. O hábito, os preconceitos os levam a confundir liberdade com liberalidade. Para estes, a proibição atua como um cinto de castidade, garantindo a exclusividade de sua posse.

Sim, a mulher independente causa medo no homem que não está seguro de si mesmo. Ela pode a qualquer momento escolher ir ou ficar, pois não está presa a ele economicamente.

Ela pode questioná-lo em suas atividades e em suas opiniões, pois é dona de suas próprias colocações e atitudes. Ela é, enfim, um pensamento vivo com o qual terá que conviver em igualdade de forças. E para quem se sente sem força, este é um susto.

Detectar a eventual insegurança do marido significa ter na mão um elemento muito importante. Não para usá-la como arma agressiva, atirando-o ao rosto dele em tom de acusação e insulto.

Mas para conviver com ela reconhecidamente, trabalhando com delicadeza até torná-la visível e aceita. É um longo trabalho, mas em amor não conheço outro meio.

Aceitar imposições apenas imposições  para que ele não desmonte (e o desmonte pode ser até muito agressivo, destruindo não só ele, mas a relação) implica num cego sacrifício das mulheres, sacrifício que um dia naturalmente elas acabariam cobrando, e com juros.

O que importa é ajudá-lo a fortalecer seu ego e a solidificar a relação, em que para isso seja necessário imolar no altar matrimonial. Um pouco de reforço, um pouco de avanço, um tanto de docilidade um tanto de determinação alternados e bem trabalhados, porém tornar aquilo que um teórico chamaria de força conjunta.

Os homens, é claro, têm a chave da porta, e tratam de mantê-la bem fechada. Se a mulher não tem profissão, impedem que venha a tê-la. Afinal, uma mulher sem qualificação profissional tem mais dificuldade em arranjar trabalho, sobretudo trabalho bem remunerado.

Se a mulher rumava para uma profissão, tratam logo de colocar todo o fenômeno casamento (e leia-se ai casa, filhos, marido) como obstáculo intransponível.

A toda hora ouvimos de mulheres que iam se formar, hoje mais do que nunca percebo nas mulheres que fazem mestrado, doutorado ou que estavam no princípio de uma carreira, e que querendo casar ou estar com alguém, largam tudo.

Mas se a mulher tem sua profissão, tem uma carreira já definida e bem sucedida, e insiste em mantê-la, então o jeito é apelar para a frase indefectível “Ou a sua carreira, ou eu”.

O apelo convenha é dramático. O eu da mulher, não é só eu, é toda uma estrutura familiar, às vezes filhos, casa, e mais os planos em comum, os projetos e desejos todos.

O eu é muito forte, e do seu lado, reforçando ainda mais o prato da balança estão à opinião social segundo a qual o primeiro papel da mulher, o único, aliás, que dignifica sua existência, é a de esposa e mãe.

E nesta tarefa se vêem geralmente apoiados pelo resto da família, pais e mães que criados dentro dos velhos padrões defendem ferrenhamente sua validade.

Desequilibrando assim o amor à profissão, o desejo de carreira e independência já não parece justo anseio de realização e plenitude. Transformaram-se em caprichos egoístas. E como tais, são quase sempre abandonados.

Sim o “ele ou ela” é difícil de enfrentar, doloroso. Melhor seria não chegar a ponto tão exagerado, evitando desde o inicio do casamento, desde antes, o estabelecimento de uma relação de mando e obediência. Pois é repelindo as pequenas proibições, que se evitam as grandes.

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínico

em 09/12/2013

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