Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Bom senso - Essa é a palavra
O amor que eu diria responsável é a grande possibilidade de sucesso para o casal. Não se trata de compromisso, É sobre tudo uma intenção, uma consciência de que é bom e deve ser protegido.

Bom senso, essa é a palavra que todos nós precisamos desenvolver quando estamos em uma relação conjugal. Sobre essa palavra gostaria de pensar três princípios para estabelecer o bom senso.

Primeiro. Você não casou consigo mesmo (a). Porque seria narcisismo querer alguém igual a você. Porque este alguém não existe. Porque se existisse o mais provável é que você não gostasse dele.

Segundo. Ele é ele. Ou seja, outra pessoa, com seus modos, inseguranças, incertezas, decepções e suas necessidades.

Terceiro. É dele ou dela que você gosta e portanto quer entender seus modos e aprender a operacionalizá-los. Estabelecido isso, o resto é mera decorrência.

Se por exemplo, ele é esportivo e você se sente preguiçosa como um gato, a primeira etapa é entender as causas da diferença. Refletindo, você perceberá logo que ele tem muita vitalidade física que necessita ser desgastada, coisa que a vida normal urbana com carros e escritórios não permite; represado, contido fisicamente ele se sente mal, fica irritadiço, tenso.

Refletindo mais você chegará à conclusão de que um companheiro irritadiço é pior que um companheiro esportivo. Refletindo mais ainda, você concluirá que embora sua vitalidade e seu grau de excitação sejam menores que os dele, um pouco de exercício não vai lhe fazer mal, muito pelo contrário.

Enfim, o resultado natural de tanta reflexão será você fazer um pouco de esporte com ele, deixar que ele faça o resto sozinho, e viver a vida em comum mais harmoniosamente.

O mesmo esquema funciona para detalhes como cobertores (use um de solteiro e deixe-o só de lençol), para a famosa pasta de dentes (que tal ter dois tubos?), para a hora de levantar ( o madrugador pode fazer sua corrida de manhã cedo, e voltar quando o outro já está desperto, e para as inevitáveis reclamações.

Sim, porque reclamações sempre existem. No meu caso, por exemplo, eu sou o que mais reclama dos dois. Houve um momento em que decidi não reclamar mais, para não atormentar minha esposa.

O que conta, enfim é viver as diferenças de forma dinâmica, procurando soluções para elas, em vez de transformá-las em cavalos de batalhas e justificativas para irritação.

Avaliando os valores, cedendo onde se pode, brincando onde dá, as diferenças podem perfeitamente ser incorporadas ao patrimônio familiar, abrindo espaço para a respiração de um casamento mais feliz.

O amor que eu diria responsável é a grande possibilidade de sucesso para o casal. Não se trata de compromisso, porque compromisso encerra um ar de obrigatoriedade, comprometimento quase legal. É sobre tudo uma intenção, uma consciência de que este amor é bom e deve ser protegido.

O amor responsável sabe que tem um raro tesouro nas mãos, mas sabe igualmente que ele não é dado de presente pela sorte. É construído a cada dia, pelos dois juntos, numa obra que não é somente vertical, uma espécie de empilhação de experiência, que pode também ser demolição para reconstruir, que é feita de muitas reformas, e que, sobretudo, nunca tem um projeto definitivo e fechado.

Eu diria que é uma “obra aberta”, que se modifica constantemente, em que os dois parceiros atuam o tempo inteiro, agindo um sobre o outro, colaborando um no fortalecimento do outro, abrindo questionamentos.

Uma obra que através de todos os legítimos estremecimentos, mantém a consciência de sua importância, e o desejo de preservar seu núcleo de união.

O amor pode existir, e ser agradável agradabilíssimo até, sem ser responsável. Mas é outro tipo de amor. É o amor festivo, um amor inconseqüente, que não busca a perenidade, mas tão somente a satisfação do Eros.

E pode ser considerado de alguma maneira um amor escapista, porque se estabelece na periferia da realidade, ignorando qualquer intenção mais profunda.

Incluir o amor no dia-a-dia, fazer dele matéria primeira do nosso viver, é o passo inicial em direção ao amor responsável. Vivido profundamente, ele se irradia em todas as direções, permeia todas as atividades, tornando-nos pessoas melhores, e mais receptivas.

Não há como garantir a duração de um amor. É certo que não basta à entrada. Responsabilizar-se por ele, devotar-lhe luta e atenção pode não eternizá-lo, mas nos dá a certeza de uma qualidade melhor e mais sólida de amor, a única capaz de realmente configurar um casal.

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínico

em 13/12/2013

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