Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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O encontro entre a Psicanálise e a ética
Para entender esse ser é preciso mergulhar em sua dinâmica existencial, percorrendo os conceitos do inconsciente, na tentativa de se revelar o que oculta o ser na essência, no ser da existência...

O ser humano é um universo interior, de onde navegam os menores e ao mesmo tempo as maiores espaçonaves.

Entenda-se como espaçonave os compartimentos localizados no psiquismo, e todos os mecanismos psíquicos derivados da potencialidade criativa e da estrutura de cada ser.

Para conhecer, entender e compreender esse ser tão complexo a ciência, ao longo da história vem realizando experiências as mais diversas, na tentativa de defini-lo.

Tarefa árdua e às vezes ingrata porque o ser, como disse Heráclito, é um ser em construção, nunca acabado por isso difícil de ser definido.

Em todo o tempo ele nunca é, mas está sendo, está sendo, está vindo, está unido, mais nunca está estático.

As variáveis a que ele é submetido alternam sua condição de ser “estático”, traduzindo sua história numa odisséia sem fim, numa viagem interminável rumo ao desconhecido.

Para conhecê-lo, a religião buscou na revelação a clareza na sua origem, sentido e fim. Entretanto, também as variáveis culturais, antropológicas, a liberdade de se penetrar no mundo da metafísica e tantas outras, remeteram para conclusões diversificadas na formação do conceito desse ser.

            Como não pretendemos criar nova ciência, nem uma nova ordem religiosa inquiridora da verdade, devemos partir em busca da realidade desse ser, para entendermos sua relação consigo, com os outros e com o cosmos do qual ele depende.

            Sua realidade é o hoje,  seus sonhos, fracassos, sucesso, vida e morte.

            É necessário encontrá-lo em busca do encontro consigo mesmo, suas divagações, seus pressupostos, seu ritmo, suas realizações intra e inter e ultra pessoal.

Para entender esse ser é preciso mergulhar em sua dinâmica existencial, percorrendo os conceitos do inconsciente, na tentativa de se revelar o que oculta o ser na essência, no ser da existência.

Contribuição positiva para essa busca já forneceram a filosofia e a religião com a palavra Logus, ou seja, trazer à luz o que está oculto na essência, mas já que se desenha na existência.

Não há como trabalhar a idéia desse ser sem, contudo caminhar por algumas disciplinas que lhes dizem respeito. Iniciando pela filosofia.

“Se me dissésseis, ‘Sócrates, nós te deixamos livre, à condição de que abandones esta pesquisa e que não filosofes mais...’ , eu vos diria... que não deixarei de filosofar... a vida sem exame não é vivível (o de anexetastos bios ou biôtos)”.

Sócrates morre sem dúvida em função de muitos fatores e motivos, mas, sobretudo porque o exame, a interrogação se transformou em objetos de sua paixão, aquilo sem o que a vida não vale a pena ser vivida. Insistimos: Sócrates não fala de verdade; ele sempre proclamou, ainda que ironicamente, que a única coisa que sabia com certeza era que não sabia nada.

Ele fala de exetasis, exame, pesquisa. As duas fibras que destacamos distinguiram-se aqui claramente: a paixão, fazendo com que seu objetivo valha a vida; e a natureza desse objeto, não como posse, mas como busca e pesquisa, atividade examinante.

            A Psicanálise diz que somos produto de nossa história de vida, marcada pela sexualidade insatisfeita, que visa satisfações imaginárias sem, no entanto poder satisfazê-las plenamente. Na verdade, ao invés de sermos autores e senhores da nossa história, somos  produto dela.

            Como já sabemos, nossa psique é um campo da batalha velada, inconsciente entre desejo e censura. O id ama o proibido, o superego quer ser amado por reprimir o ID. As neuroses e psicoses são causadas tanto por um ID extremamente fraco e um superego forte quanto o inverso.

            Do ponto de vista do inconsciente, mentir, matar, seduzir, destruir ambicionar é simplesmente amoral, pois o inconsciente desconhece valores morais.

            No campo da Ética, a psicanálise mostrou que uma das fontes dos sofrimentos psíquicos, que resultam em patologias mentais e também físicas, é o rigor do superego, que impõe uma moralidade rígida.

O que vemos e concluímos é que quando uma sociedade reprime os desejos inconscientes a ponto de não conseguir meios de expressão, remete para duas alternativas distantes da ética: ou acontece a transgressão violenta de seus valores pelos sujeitos oprimidos ou a aceitação passiva de uma sociedade neurótica, que confunde neurose e moralidade.

Vamos mostrar então, de um lado, uma sociedade violenta que dita normas e exige do sujeito padrão de conduta impossível e de outro um sujeito violento contra uma sociedade, buscando o direito de viver transgredindo  os valores estabelecidos.

 A existência ética se por um lado uniformiza os relacionamentos por outro o reprime. Diante dessa encruzilhada é que nasce o sujeito passivo ou ativo. Passivo é aquele que se deixa governar e arrastar por seus impulsos, inclinações e paixões, pela opinião alheia, pelo medo dos outros, pela vontade dos outros, não exercendo sua própria consciência, vontade, liberdade e responsabilidade heterônoma.

O ativo é aquele que comanda interiormente seus impulsos, seus desejos, paixões, dialoga consigo e com os outros sentidos dos valores e dos seus fins, consulta sua vontade e razão antes de agir, recusa à violência contra si e contra os outros autônomos.

            Então resta-nos perguntar: O que a psicanálise nos propõe?

            O que a psicanálise propõe é uma nova moral sexual que harmonize, tanto quanto for possível, o desejo inconsciente, as formas de satisfazê-los e a vida social. Essa moral, evidentemente, só pode ser realizada pela consciência e pela vontade livre, de sorte que a psicanálise procura fortalecê-la como instancia moderadoras do id e superego. Somos eticamente livres e responsáveis não porque possamos fazer tudo quanto queiramos, nem porque queiramos tudo quanto possamos fazer, mas porque aprendemos a discriminar as fronteiras entre o permitido e o proibido, tendo como critério ideal a ausência da violência interna e externa.

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínico

em 17/12/2013

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