Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Sexo e Amizade
Amigos são sujeitos inteiros que se aproximam porque apreciam o modo de ser e de pensar um do outro. Já no amor as pessoas se percebem como metades que buscam a unidade por meio da fusão com o outro..

Amizade é um tipo de intimidade mais refinada do que o amor (relacionamento entre duas pessoas), pois envolve um grau de sinceridade e de aliança entre as pessoas que raramente se encontra entre os que se "amam". No amor, o medo de decepcionar o parceiro determina uma tendência a esconder do outro dados que achamos que poderão piorar nossa imagem e nos levar a perder seu afeto. Há, em virtude disso, um crescente abismo entre os que se amam, coisa que não acontece nas amizades. ?
Amigos são sujeitos inteiros que se aproximam porque apreciam o modo de ser e de pensar um do outro. Já no amor as pessoas se percebem como metades que buscam a unidade por meio da fusão com o outro. Temos medo de que o envolvimento amoroso com um amigo faça-nos sentir como metades, um em relação ao outro, surgindo à tendência para a fusão, o aparecimento de ingredientes não usuais nas amizades: possessividade, ciúmes etc.
O desencadeador desse processo, no qual uma pessoa inteira passa a se sentir uma metade pode muito bem se dar a partir da intimidade sexual. Essa é a razão pela qual os amigos, tão próximos em todos os aspectos da vida psíquica, sempre evitaram os contatos físicos que não fossem explicitamente relacionados com gestos de ternura.
Isso é ao mesmo tempo sábio e triste, pois acaba determinando o impedimento de intimidade físicas fora do contexto amoroso, na direção do contato entre pessoas que não tem muita afinidade e que não acham grande graça uma na outra.
E seria possível a existência de intimidades sexuais entre amigos sem que isso determinasse o reaparecimento desse desejo de fusão que nos persegue? Em teoria, penso que sim.
Poderemos vir a atingir esse tipo de crescimento interior que irá determinar o fim do anseio de fusão e de resolução das nossas insatisfações por meio de outra pessoa. Acontece que devemos ter uma visão realista e saber se já somos essas criaturas.
Acredito que amigos poderão ter intimidades físicas sem que isso venha a alterar – e nem abalar – o relacionamento quando duas condições vierem a ser preenchidas: a primeira já foi citada, e diz respeito ao desenvolvimento emocional.
A segunda condição refere-se ao entendimento mais complexo do que sejam as relações sexuais. Enquanto atribuímos ao sexo uma importância que ele não deve ter, é melhor que o deixemos de fora das relações de amizade.
É preciso que consigamos encarar o sexo com simplicidade sem compromisso. Penso que é um fenômeno mais pessoal do que interpessoal. O outro existe, desse ponto de vista, apenas para despertar nosso desejo e para que possamos trocar carícias em vez de nos masturbarmos.
Digo sempre, um tanto jocosamente, que o sexo é tão simples até para fazer sozinho! Temos que ser ousados se desejamos evoluir. Amizades são relações muito preciosas para que se percam apenas por causa de algum mal – entendido determinado pela intimidade física. O sexo é bom, mas não vale a perda de uma boa amizade.

Pense nisto;

Ronaldo de Mattos – Psicanalista Clínico

em 30/11/2009

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