Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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O desencontros do diálogo
Conhecendo bem a pessoa com que falamos, fica pelo menos mais fácil não só evitar pontos nevrálgicos, como perceber os sintomas de alteração...

Em amor geralmente a gente sabe, sabemos tanto que em alguns casos queremos fazer de conta que não estamos vendo.

 E em amor é exatamente onde dá mais nó.

Pudera! É em amor que a gente mais tenta dialogar, metendo a mão nas camadas mais fundas, observando o sujeito em suas camadas e labirintos mais temerosos e cheios de história pessoal.

Mas em compensação o amor nos dá também uma arma poderosa para desfazer os nós: o co

nhecimento do interlocutor e naturalmente o conhecimento sobre nós.

Conhecendo bem a pessoa com que falamos, fica pelo menos mais fácil não só evitar pontos nevrálgicos, como perceber os sintomas de alteração. Desde que se preste atenção.

E estes sintomas podem funcionar para nós como sinais de alarme. Se o outro fica mais agressivo, ou se está repentinamente suando, ou se começa a brincar com um pedacinho de qualquer coisa, ou se a veia do pescoço ou se o tremor nas mãos, ou se, então é hora de parar, porque o diálogo acabou.

Ele pode estar acuado por excesso de dose. Tudo ia bem no princípio, e?nquanto o assunto estava apenas começando a esquentar, mas à medida em que foram se empilhando mais argumentos e fatos, ele foi ficando sufocado, esmagado debaixo de um excesso de argumentação.

E qualquer um reage mal ao esmagamento. Talvez os mesmos assuntos que estão sendo condensados num único diálogo tivessem que ser fracionados em vários diálogos mais leves, mais facilmente digeríveis.

Ou ele pode estar acuado pelo assunto. Se um assunto definitivo, importantíssimo, é jogado de repente na mesa, o outro pode não estar pronto para ele.

Cada um tem seu tempo de maturação, e não é porque estamos prontos que os outros devem estar. Ver-se confrontado com um assunto que talvez ainda não se quisesse encarar é muito assustador, e é vivido como uma espécie de desafio.

E aos desafios poucos reagem com equilíbrio. Mais fácil será provocar o amadurecimento, através de diálogos de “aproximação”, em que o assunto não é colocado frontalmente, mas comido aos poucos, pelas beiradas.

Suponhamos que esteja errado. E suponhamos que seja daqueles que convivem mal com o próprio erro. Não por vaidade, mas por extremo desejo de acertar. E suponhamos que em determinado ponto o diálogo comece a lhe soar como uma cobrança disfarçada.

Teremos aí um belo interlocutor empacado. A cobrança aliás, é uma das maiores fabricantes de nós de que eu tenho conhecimento. E isto porque, ao sermos cobrados, reagimos querendo limpar a nossa barra, em defensiva total.

Já não queremos ouvir ou entender nada, queremos, urgentemente, demonstrar que o outro está equivocado, que não temos em nossa contabilidade qualquer divida a pagar.

Outra razão que pode colocar nosso interlocutor em posição de ataque é obviamente, o medo. E medo as pessoas podem ter muitas coisas. Medo de não estar à altura da conversa. Medo, simplesmente, do outro. Medo de perder, coisas ou posições. Medo de ser levado a assumir ou reconhecer algo que preferia deixar no limbo.

Enfim, seja qual for a causa, uma coisa é certa: se um dos dois está com a guarda fechada, de nada adianta o outro insistir. A não ser que, em vez de dialogar, queira discutir.

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínico

em 20/12/2013

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