Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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Partilhar... Uma conversa bonita.
Partilhar será também por nossa parte, desistir vez por outra das nuvens, e fazer com ela o que ela gosta de fazer, com interesse igual ao que ela dispensa às nossas atividades...

Bonita, essa conversa de partilhar! Não há quem não goste. Mas só da conversa, porque na hora de partilhar mesmo, de dividir, metade pra cá, metade pra lá, a coisa parece mais difícil.

Partilhar, por quê? Porque em amor as pessoas querem dar e receber. E o melhor é que isso seja feito na mesma medida. Ainda que inconscientemente, começamos a partilhar desde o inicio de uma relação de amor.

Pois procuramos a identidade, a pessoa que, parecida conosco, nos complete, e só há um meio para testar essa identidade: entregar nossos pensamentos, nossos desejos, nossos projetos, e ver se coincidem ou se aproximam dos desejos, pensamentos, projetos dele.

Isso é o começo do partilhar. É um momento emocionante da relação, quando do alto do nosso penhasco lançamos a mensagem para o penhasco dianteiro, e esperamos em ânsia que o eco anule aos poucos a distância.

E também o mais espontâneo, momento de falar muito, de contar o passado, as reminiscências infantis. No desejo totalizador do amor, parece-nos difícil aceitar que tenha havido um tempo em que sequer nos suspeitava.

E contando-lhe esse tempo tentamos integrá-lo nele, como se, ausente então estivesse, porém, em suspensão no nosso futuro, predestinado para vir. Isso, no inicio. Porque logo coisas mais concretas e às vezes bem mais prosaicas têm que ser partilhadas, pondo a prova a nossa real capacidade de conviver.

Uma coisa é, no inicio do namoro, afirmar “Eu adoro homem-pássaro”! E suspirar estática diante do Ícaro que à sua frente parece realmente descido do céu.

Outra coisa é conviver com um homem que passa o sábado e o domingo, de manhã à tarde, subindo ao alto de um pico, para descer em curvas pelo céu, e tornar a subir. Uma coisa é ele dizer, no começo da relação “Essa de machismo não é comigo”. E outra é conviver serenamente com uma divisão de tarefas que pode implicar para ele também em lavar a louça ou fazer as compras do supermercado, ou cozinhar.

Isso não significa que, tendo dito uma coisa, seja necessário mantê-la até a morte. Todos podem e devem mudar. Significa porém, mais sinceridade na hora das afirmações, ou seja, afirmar aquilo que realmente se pensa e não aquilo que, sabemos, irá agradar o outro. E signifique também uma certa, realística, elasticidade na hora de concretizar os sonhos, de morar juntos.

Se for um homem-pássaro o que você escolheu, será preciso passarar com ele, criar pelo menos asas na alma, se não tem a coragem de carregá-las nas costas.

Subir de carro ao alto do morro levando a tralha dele, e descer para esperá-lo na chegada é uma forma direta de partilhar. Mas partilhar pode ser também ficar em casa, ou fazer qualquer outra coisa que nos agrade, entrevendo com prazer a hora do encontro, os relatos dos vôos.

Partilhar será também por nossa parte, desistir vez por outra das nuvens, e fazer com ela o que ela gosta de fazer, com interesse igual ao que ela dispensa às nossas atividades

Partilhar é, enfim, viver em harmonia com o outro. E como andar de tandem, aquela bicicleta para dois ciclistas que só funciona realmente se as pedaladas estão no mesmo ritmo, e se, sobretudo, os dois querem ir na mesma direção.

Partilhar, portanto, não é apenas dividir tarefas e ocupações, é estar junto no modo de ver a vida, é fazer dos próprios sentimentos uma área livremente transitável. E isso só se consegue com intimidade.

 

Ronaldo de Mattos - Psicanalísta Clínico

em 07/02/2014

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