Psicólogo / Psicanalista Clínico ABMP Nº 04909-09
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O poema e o encontro psicanalítico
A partir deste recorte se constrói um olhar da psicanálise sobre esses versos. A relação conjugal é por vezes comparada a uma arena na qual o mundo interno de cada um é reencenado...

Cecília fala de vestido, de espelho e de dor. Qualquer mulher se identifica com seu retrato e se comove com a autora quando ela busca a face da juventude perdida, não reconhecendo a imagem madura refletida.

Diz assim o poema:

"Eu não tinha este rosto de hoje,

Assim calmo, assim triste, assim magro,

Nem estes olhos tão vazios,

Nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,

Tão paradas e frias e mortas;

Eu não tinha este coração

Que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,

Tão simples, tão certa, tão fácil;

- Em que espelho ficou perdida

A minha face?

 

A poetisa discorre sobre a vida e a morte...

A partir deste recorte se constrói um olhar da psicanálise sobre esses versos. A relação conjugal é por vezes comparada a uma arena na qual o mundo interno de cada um é reencenado, onde necessidades e ansiedades se expressam na expectativa de respostas e soluções.

Fantasias inconscientes de cada membro do casal a respeito do funcionamento da conjugalidade e defesas compartilhadas possibilitam a tessitura de um laço através do qual pretendem responder às necessidades do outro, assim como ter as suas igualmente atendidas.

É claro que a poetisa não se prende apenas em uma reflexão ela vai além, olha para o tempo e refere-se a ele com certa nostalgia. O tempo marca não só o corpo como a alma...

Marca a história e todos os contos que da interpretação cênica que representamos no teatro da vida. De repente ela se encontra no espelho, ou o espelho se encontra diante dela...

Corresponde à fase da formação da identidade, que se dá entre os seis e os dezoito meses de idade, quando a criança encontra e reconhece a sua imagem especular. A criança antecipa o domínio sobre a sua unidade corporal através de uma identificação com a imagem do semelhante e da percepção de sua própria imagem no espelho. Considera-se esta fase como um primeiro esboço do que será o Eu do indivíduo.

Segundo Lacan a fase do espelho processa-se em três fases fundamentais:

Em um primeiro momento, o bebê percebe seu reflexo no espelho, como se fosse outro ser real, do qual procura aproximar-se ou apoderar-se. Esta imagem é, para ele, outra pessoa que é procurada atrás do espelho.

Em uma segunda fase, a criança percebe que o outro do espelho não é um ser real, que não passa de uma imagem e, por isso, ela não vai mais procurá-lo atrás do espelho.

A terceira fase consiste no fato de a criança já saber que o refletido no espelho é apenas uma imagem dela própria. Nessa ocasião, ela gosta de brincar com os movimentos do seu próprio corpo no espelho.

A pergunta que se instala é: Será que o olhar da poetisa representa à volta da infância, onde procuramos aquela ingênua percepção de quem está sendo refletido?

A poetisa brinca com a vida assim como constrói a ousada reflexão sobre a morte e os anseios que nos aproxima.

Enfim, um poema, um toque suave na alma, um suspiro no silêncio e uma fala no vazio a procura de respostas no horizonte.

 

Ronaldo de Mattos - Psicanalista Clínico

em 21/02/2014

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